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10
Autor:
Mônica Junqueira de Camargo
Data: 12 de novembro de 2005
Documento: Carta publicada no “Painel do Leitor” da Folha de São Paulo
[texto cortado]
Urbanismo
(...) Patrimônio
Histórico não é uma questão de gosto, como sugeriu o editorial Veto
à Torrel, mas uma área do conhecimento estruturada em teorias e princípios
que determinaram leis nacionais e tratados internacionais. Não se trata
de sofisma, o respeito à escala de um bem tombado, mas sim de um dos
princípios básicos da preservação do patrimônio, claramente disposto
no artigo 6º da Carta de Veneza, de 1964, da qual o Brasil é signatário:
“A conservação de um monumento implica a preservação de um esquema em
sua escala. Enquanto subsistir, o esquema tradicional será conservado,
e toda construção nova, toda destruição e toda modificação que poderiam
alterar as relações de volumes e de cores serão proibidas.” Justamente
disto decorre a regulamentação das áreas envoltórias. (...)
Quanto
à acusação ao Conpresp de indeferir o projeto, por “ver com reservas
os seus proponentes”, contradiz a história de atuação deste Conselho,
que tem sempre se pautado por decisões técnicas e agido de maneira isenta
e transparente. Informo que o Conselho recebeu conselheiros do Masp,
inclusive o presidente, para a exposição do projeto, num clima de total
respeito e cordialidade. Eu, pessoalmente, estive a pedido do presidente
do IAB, em três reuniões com o presidente do Masp, nas quais expus meus
argumentos que tenho certeza que foram compreendidos, embora divergentes
dos interesses do Masp. Em nenhum momento o debate deixou de ser técnico,
com profundo respeito mútuo, para este editorial poder concluir que
“houve reservas a seu proponente”.
[Mônica
Junqueira de Camargo, Arquiteta, Conselheira – representante do IAB
no Conpresp]
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