| De:
Eric Verhoeckx
Data: Tuesday, December 06, 2005 12:21 AM
Assunto: Meu lar é um botequim
Marcelo e demais,
Interessante a sua
observação, já que a minha preocupação
é mais como pensar a minha casa como parte da nossa cidade e
como manter um equilíbrio saudável nisso. Na hora me lembrei
de um momento, durante uns dos eventos em que a 'cidade' invadiu a minha
casa, e que alguém (tinha que ser um diretor de teatro!) trouxe
consigo um catador de latinhas e aí houve um início de
espanto - qual o limite? Eu sinceramente não achava nada demais,
latinha é que não faltava e qual o propósito do
catador: catar latinha. Igual pixador: ele pixa mas não rouba!
Como nós, eles fazem parte da nossa cultura urbana paulistana
e não me encomodam, nem fora nem dentro da minha casa. Houve
festa de apoio à candidatura de um arquiteto-vereador que não
ganhou sua merecida (acho eu) reeleição, teve festa de
aniversário de uma amiga e numa outra ocasião teve uma
festa de encerramento de um festival internacional de vídeo e
assim por diante e nas três mencionadas eu nem sequer estava mas
em nada me prejudicou. Só confiei, autorizei e ainda ganhei com
isso (uns bons vinhos). Acho muito mais 'saudável' ver que eu
'ainda' posso ter este tipo de convivência com o real, do que
aderir a histeria 'burguesa' idiota que ultimamente manda-nos "arquiteturiar"
desta nossa cidade (inclusive nas respostas ao artigo do André
Carrasco). É uma questão de respeito e de confiança.
E se há bandido nesta cidade, somos nós! Tirei o título
desta mensagem da letra 'Último desejo' de Noel Rosa. Não
sei se o site do Abilio permite som, mas anexo um trecho, na voz da
Nana Caymmi [nota do editor: infelizmente
não temos som em Vitruvius].
Abraço
[Eric Verhoeckx, holandês,
autônomo, antropólogo, arquiteto, morador do centro desta
cidade]
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