De: Euclides Oliveira
Data: Friday, February 03, 2006 1:27 PM
Assunto: Barra da Tijuca

Não sou o autor desta matéria sobre a Barra mas, o Abílio que me perdoe, não resisto a tentação de meter minha colher, novamente, neste assunto, comentando alguns pontos levantados pelo colega arquiteto Marcelo Novelli. Marcelo, a verticalização, teoricamente, não aumenta e sim diminui a taxa de ocupação do solo; temos a experiência diária de vermos surgirem, em lotes que continham duas ou três residências, edifícios de cinquenta ou sessenta apartamentos. Em vista disto o sistema viário nescessário é, na ocupação do solo com edifícios altos, menos extenso do que no caso de habitações unifamiliares. E é evidente que existem alternativas para o edifício de grande altura; uma cidade com prédios de seis andares e pilotis, ocupando cerca de 25% do solo, pode atingir uma densidade bruta da ordem de 650 hab./Ha e 1.270 hab./Ha de densidade líquida, o que é um índice adequado em qualquer lugar do planeta (com as exeções de praxe, Hong Kong, por exemplo). Prédios de grande altura estão simbolicamente ligados a imagem de poder e sucesso, mas também (veja-se no cinema, por exemplo) aos grandes terrores da humanidade, como os incêndios, os terremotos e, mais recentemente, aos atentados terroristas. Além disto, eles tem a tendência, devido a sua tipologia, de tornarem-se construções autônomas, indiferentes ao ambiente e a paisagem do lugar; seus moradores isolam-se da cidade, da rua, da vida urbana.
E aqui chegamos a praga dos condomínios fechados, horizontais ou verticais, que nada mais são do que frutos da vontade das "elites" de se isolaram espacialmente do restante da população. São eles os verdadeiros destruidores da urbanidade, das práticas sociais e culturais da cidade, do papo no café ou no bar da esquina, dos encontros casuais, do confronto das diferenças, da história do lugar, etc. Outra observação, Marcelo, é a possibilidade de se construir mais que faz com que suba o preço do solo, com que apareça a especulação imobiliária, com que o proprietário segure o seu terreno, aguardando a valorização do imóvel. Coloque-se para a Barra uma legislação limitando o gabarito das edificações a quatro ou seis pavimentos; o preço da terra despencará na hora, é o "mercado" meu caro. Terminei, aceite um abraço cordial.

[Euclides Oliveira, arquiteto, São Paulo SP]