De: Euclides Oliveira
Data: Friday, July 07, 2006 4:44 PM
Assunto: Barra da Tijuca e o custo do urbanismo moderno

Caro Rogério, mais do que o modelo "Carta de Atenas" da Barra da Tijuca, nela me incomoda a especulação da terra e os condomínios fechados, praga nacional que nada tem a ver com o plano original do Dr. Lúcio Costa, além da destruição deliberada de sua paisagem natural. Esta ocupação selvagem foi, inclusive, temida pelo mestre, que incorporou ao seu plano original uma reserva biológica que conservasse, em seu estado natural, a faixa litorânea entre a praia e as lagoas. Aproveito para citar aqui trechos da introdução do Arquiteto Fernandes Magalhães Chacel ao seu livro "Paisagismo e Ecogênese" (Editora FRAIHA, pag. 22), que bem esclarecem este assunto.

"O processo de urbanização da Barra da Tijuca começou, de fato, pelo Jardim Oceânico, na chamada Barra Velha, cuja implantação teve como corolário a destruição de uma extensa área de Mata de Baixada.

Segue-se o 'boom' imobiliário, sem precedentes na história do Rio de Janeiro (década de 70).

Em rítmo acelerado, grandes empreendimentos começaram a ocupar os espaços da baixada, trazendo, com isso, a supressão da antiga estrutura superficial da paisagem, face ao modelo de desenvolvimento praticado e instituído pela legislação urbanística vigente".

Aí está o maior dos males feitos à Barra da Tijuca pelos "agentes financeiros" envolvidos: a destruição de sua maravilhosa paisagem agreste.

Na minha primeira mensagem a este Fórum considerei que sempre achei que a Barra da Tijuca deveria ter funcionado para o Rio de Janeiro como o Quartier de La Defènce funciona para Paris; um local onde o novo poderia florecer sem prejudicar a cidade antiga; mas tal fato não aconteceu, acabaram com o velho Rio e construíram uma cidade na Barra no mínimo de civilidade duvidosa, plena de barreiras urbanísticas e arquitetônicas.
Acho que o Plano Lúcio Costa pode e deve ser aprimorado, mas por quem? Pelos urbanistas do Cesar Maia? Daí não sairá nada que preste. Por que os arquitetos cariocas não pressionam o IAB-RJ para lutar pela realização de um concurso de anteprojetos para a área em questão? Um abraço e boa sorte.

[Euclides Oliveira, arquiteto, São Paulo SP]