| De:
Luciano Pereira de Souza
Data: Friday, August 01, 2008 11:22 AM
Assunto: Barra da Tijuca e o custo do urbanismo moderno
Parabéns pelo artigo
"Barra da Tijuca e o custo do urbanismo moderno". Atualmente,
moro em Brasília e vivencio, no dia a dia , as consequências
do tipo de urbanismo escolhido para a construção da capital
do Brasil, que são fundamentalmente os mesmos problemas indicados
no excelente artigo sobre a Barra de Tijuca: os grandes espaços
que oprimem o transeunte, a falta de transporte público, áreas
verdes inúteis, o alto custo de manutenção, falta
de transporte público, etc.
Adicionaria à lista
de problemas, a setorização urbana em Brasília
(setor de hospitais, hotéis, comercial, autarquias, residencial,
gráficas, industrial, garagens etc), que além de conceder
o aspecto inóspito, artificial e segmentado à vida da
cidade, torna a população refém do automóvel,
único meio de transporte eficaz para o deslocamento entre os
setores.
Enquanto no Rio, já
há uma crítica do urbanismo da Barra da Tijuca, em Brasília
há uma verdadeira veneração do projeto modernista
de Lúcio Costa e quase um fundamentalismo no sentido de tentar,
sempre em vão, implementar a utopia idealizada pelo autor. Já
estamos no início do século XXI, mas a Brasília
"oficial" resume-se a repetir e reeditar os conceitos urbanísticos
e arquitetônicos da década de 1950, com poucas exceções,
como se fosse possível enquadrar a realidade com base em um sonho.
Contraditoriamente, a inflexibilidade
da utopia é a principal causa do crescente caos urbano de Brasília.
Não há meio termo, a cidade se desenvolve à margem
utopia"oficial" do "mundo perfeito" do projeto original,
mas de forma desordenada. Em Brasília, prevalece "o tudo
ou nada", há pouco espaço para o meio termo de um
urbanismo que busca orientar o crescimento natural da cidade: a população
ou está submetida ao "congelamento" de uma cara utopia
"oficial" da década de 1950, ou se submete à
realidade "ilegal" e extremamente individualista das invasões,
da falta de saneamento, dos condomínios ilegais, da informalidade,
dos grilheiros das terras públicos, do caos que prolifera, mas
que o mundo oficial parece tentar ignorar.
[Luciano Pereira de
Souza, Brasília DF] |