| De:
Fabiano Dias
Data: Monday, May 08, 2006 9:23 AM
Assunto: Orla de Camburi em Vitória
Fabricio,
Meu amigo, finalmente vejo
nas "páginas" (virtuais) do Vitruvius um texto seu,
mesmo que tenha que descordar frontalmente da concepção
deste projeto da PMV. Por ser seu amigo (me considero assim), acho que
posso ter a intimidade suficiente para descordar (de forma salutar)
desta proposta para a nova orla. Para falar a verdade, como amigo, fico
orgulhoso que você e as meninas que tanto admiro estejam tendo
a possibilidade de construir de foma palpável, nossa cidade.
A critica fica enquanto arquiteto, como aquele que têm como princípio
pensar a cidade e se preocupar com o seu ambiente construído.
A critica aqui não é tanto sobre os objetos propostos
(que só poderão ser melhor avaliados após sua construção),
mas sim, quanto ao conceito. Soa-me estranho e pertubador quando qualquer
proposta que surja para espaços públicos, proponha em
seu escopo alguma forma de "privatização" dos
mesmos, e quem me conhece sabe desta minha constante preocupação,
já expressa em outros artigos. As nossas praias são hoje
um dos poucos espaços públicos verdadeiramente democrático,
aberto 24 hs e de graça, a disposição de todos
sem distinção de classes, cor ou credo. Na medida em que
nossas cidade vão cada vez mais se privatizando, interiorizando
seus espaços e relações, onde cada vez mais a arquitetura
vai se introvertendocom abientes internos mais trabalhados e cuidados
do que o lado de fora, fica patente a constante necessidade de mais
espaços públicos atrativos, que possam levar as pessoas
a se misturarem, e não a se segregarem. Quando a PMV lança
a idéia de restaurantes na orla, será que o ambiente proposto
será o mesmo de um quisoque que vende o peixe frito e a cerveja?
Será que eu ou qualquer pessoa, num dia de praia e sol a pino,
poderei entrar de sunga e chinelo de dedo (sem contar a areia nos pés)?
Será que o ambiente dos restaurantes será excludente sem
sê-lo, por intenção? Será que os quiosques
hoje existentes e construídos na gestão anterior são
conceitualmente tão ruíns assim (não falo de sua
arquitetura), já que todos se misturam neles? Sei que vocês
estão tentando recuperar uma função perdida desta
região quando haviam bons restaurantes e vida noturna, mas será
que este é o papel da PMV ou somente o induzir a tal uso?
São dúvidas ou
dilemas que surgem da minha parte como forma de confrontar o projeto
da sua equipe e com esperânça de se abrir um diálogo
com vocês, mesmo sabendo que algúns ficarão bravos
comigo (como já estão) ou mesmo que esta discussão
não leve a nada (o que seria uma pena). Pois bem, ficam aqui
meus parabéns pela publicação do trabaho, pelo
esforço criativo e pensante de vocês, bem como possibilidade
de estarem onstruindo um pedaço da cidade (mesmo passível
de críticas).
Um grande abrço
e espero notícias.
[Fabiano Dias, arquiteto,
Vitória ES]
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