| De:
Daniel Oliveira Cruz
Data: Wednesday, May 10, 2006 5:56 PM
Assunto: Minha Cidade 161 Vitória ES Brasil
Caros amigos,
Antes de qualquer coisa, vou
confessar que é muito bom ler arquitetura de nosso Estado. Esse
sentimento certamente será compartilhado por arquitetos que residem
em Vitória e também por estudantes que se formaram em
nossa Universidade (UFES). Explicando melhor, tanto em Vitória
quanto na UFES, não é tão comumente aceita a crítica
às propostas ou projetos desenvolvidas em nosso universo profissional,
em nossa própria cidade.
Quanto à questão
relativa ao espaço público ou a também chamada
“área da união”, tema/dúvidas encontrados
nas manifestações anteriores (Samuel e Fabiano), tenho
que concordar com o relato colocado pelo amigo Fabiano, no que tange
a privatização dos espaços públicos, justificados
pela inserção de restaurantes no trecho da Orla de Camburi.
Em uma estrutura como um quiosque,
sua inserção é argumentada pelo reduzido espaço
de projeção, por contemplar uma área restrita para
o desenvolvimento de suas atividades funcionais e utilizar a área
pública para atendimento ao usuário. Em resumo, configuram-se
como pequenos módulos estruturais e restritos, e como pude presenciar
em trabalhos de planejamento de áreas litorâneas em nosso
Estado, vem sendo aceito pela GRPU – desde que se desenvolva o
trabalho em conjunto, claro – por contemplar usos que “privatizam”
reduzidos espaços, dentre outros condicionantes (visuais, paisagísticos,
etc).
Mas e os restaurantes??? Restaurantes
demandam um espaço funcional considerável, e área
de atendimento maior ainda. E, como colocado na crítica anterior
e pelo meu humilde entendimento, certamente nesse espaço será
vedada a livre circulação de usuários durante o
período em que o restaurante estiver fechado. Logo, teremos a
tal privatização do espaço. E com ele, os conflitos
relativos a usos, traje, classe social... e aí vai.
Mas sinceramente – sem
saber se estou no lugar certo para tal indagação –
mas aproveitando a oportunidade de levantar minha dúvida aos
técnicos da PMV, por que não limitar o desenvolvimento
de usos (como restaurantes) que demandam maior área e mais fluxo
funcional como restaurantes (carga/descarga,...) ao outro lado da avenida???
Ultimamente tenho me sentido
extremamente incomodado em caminhar nesse espaço e perceber a
velocidade e voracidade em que se está construindo Bancos nos
terrenos que defrontam os limites com a avenida e a praia, e que anteriormente,
eram ocupados exatamente por restaurantes. Tento entender como usos
tão específicos e com período (horários
e dias) de funcionamento tão restrito estão ocupando áreas
com tanto apelo turístico e visual. A ponto de se propor sua
implantação em espaços públicos, tal como
a orla se configura.
Bom, vim, li e gostei do que
vi. Espero sempre encontrar questões e de preferência,
muitas críticas acerca de propostas e projetos de nossa cidade,
sejam elas contra ou a favor. O importante é pensarmos em nosso
espaço e refletir de que forma podemos torná-lo mais qualificado,
cidadão e humano. Nota-se que nessa cartinha, não questionei
o partido arquitetônico, pois não considerei relevante
para o direcionamento da discussão.
Atenciosamente
[Daniel Oliveira Cruz,
arquiteto, Vitória ES]
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