| De:
Euclides de Oliveira
Data: Monday, May 15, 2006 6:42 PM
Assunto: SOS Parque do Flamengo
E aqui estamos, mais uma vez,
diante do triste fato da transformação de um espaço
público tradicional em espaço privado com a conivência
ou mesmo com o patrocínio da administração municipal.
E que espaço; voltado para a entrada da baía da Guanabara,
fazendo a interface entre a cidade e o mar, o que poderia ter sido apenas
um eixo de ligação viária entre a zona sul e o
centro do Rio, transformou-se, pelas mãos de Affonso Eduardo
Reidy e de Roberto Burle Marx, em um dos mais belos parques urbanos
do mundo.
Quantas e quantas vezes teremos
de repetir para os nossos governantes que as cidades necessitam de que
seja preservada a história física de seus lugares e de
como é importante a continuidade, no tempo, da paisagem urbana
para a vida de seus habitantes, seus hábitos e ritos sociais!
Espaço público desta qualidade e ainda por cima tombado
pelo IPHAN é coisa muito séria, gente; a única
saída que vejo é a mobilização da sociedade,
da população carioca, contra a espoliação
do que é seu, contra a degradação de um dos sítios
mais significativos da identidade de sua cidade, com um panorama magnífico
que envolve o mar, a baía, as montanhas, a metrópole.
O povão tem de lutar contra esta "privataria" (como
diz o Élio Gáspari), pois a continuar as coisas do jeito
que vão, em breve veremos o Parque do Flamengo loteado e pontilhado
de condomínios verticais para as "elites" morarem em
tão soberbo local, formando assim um novo bairro na saturada
zona sul da cidade. E depois disto, para concertar, só com bomba
atômica. Iraniana. Arre!
[Euclides Oliveira,
arquiteto, São Paulo SP]
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