De: Eduardo Barra
Data: Thursday, September 14, 2006 12:34 PM
Assunto: Resposta à Federação Brasileira de Vela e Motor

Caros amigos

Em nenhum momento as entidades e pessoas envolvidas com a questão da "Revitalização" da Marina da Glória se manifestaram contrárias à realização do Pan. Os documentos emitidos até então deixam isso bastante claro. Peço que não se deixem levar pela alcunha de "Inimigos do Pan", lapidada por candidato em véspera de eleições, doido para levantar polêmicas que abram as portas dos órgãos de imprensa e sejam revertidas em votos.

Todos querem o Pan e acreditam que o evento trará benefícios para a cidade, as práticas esportivas e o próprio País. Só não se pode admitir que o Pan e suas premências específicas sirvam como pretexto para se jogar as leis no lixo, para isentar empresas dos procedimentos naturais de aprovação de seus empreendimentos nos órgãos ambientais, culturais, patrimoniais, urbanísticos, edilícios e de trânsito. Que não sirva para privatizar grande trecho de uma área pública, de um parque PÚBLICO, aberto, sem cercas, muros, cancelas ou guaritas, e que assim se manteve mesmo nos anos mais sombrios de nossa história recente - quando o livre circular costumava ser encarado como ameaça à Segurança Nacional. Que não entre em choque com o maior ícone visual do Rio de Janeiro e do Brasil: o Pão de Açúcar às margens da Baía de Guanabara. Que não transforme um ambiente tranqüilo, protegido das tensões cotidianas da metrópole, sucesso de público nos últimos 40 anos, num megaempreendimento que reúne atividades que nada têm a ver com um parque ou com uma marina, e que exige 2 mil vagas de estacionamento para funcionar.

A questão é apenas esta, sem sofismas. E vamos ao PAN!

Abraços

[Eduardo Barra, arquiteto, Presidente ABAP, Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas]