De: Joylce Dominguez / Jornal do Commercio
Data: Tuesday, October 24, 2006 2:58 PM
Assunto: Iphan quer obra minimalista na Marina

Superintendente do instituto tenta acordo para encerrar impasse com a organização do Pan 2007.

O superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Rio de Janeiro, Carlos Fernando Andrade, acenou ontem com a possibilidade de autorizar a realização das obras na Marina da Glória para os Jogos Pan-Americanos de 2007 sob uma condição: de o projeto ser reduzido. "Como está concebido não dá", afirmou. A princípio, o impasse pode terminar na quinta-feira quando, segundo Andrade, os responsáveis pelas construções prometeram apresentar uma nova proposta.

As obras para a realização das provas de vela na Baía de Guanabara foram paralisadas no início de outubro, quando a Justiça cassou uma liminar que permitia o andamento do projeto. O principal problema é que desde 1965 o Parque do Flamengo, que inclui a Marina da Glória, foi tombado e as construções no local precisam da autorização do Iphan.

"O projeto apresentado está superdimensionado, maior do que é necessário para as competições de vela. Ele tem uma parte náutica e outra não, isso ultrapassa as necessidades dos Jogos", disse o superintendente do Iphan. "Para se ter uma idéia, 80% do projeto é voltado para lanchas e 20% para veleiros. No Pan não tem prova para lancha. Corta essa parte e já diminuímos muito", explicou.

Além das obras para lanchas, Andrade criticou a extensão do projeto, de 19 mil metros quadrados, além da garagem de dois andares prevista para atingir 15 metros de altura. Ainda rechaçou o argumento de que as competições só poderiam ser realizadas na Marina da Glória.

"É inacreditável que em uma cidade com duas baías e uma ampla região oceânica somente ali possam ser disputadas as provas de vela. O problema é que atrelaram o projeto ali", disse o superintendente do Iphan. "Precisamos de um projeto minimalista; quanto mais próximo do nada, para se construir, melhor", completou.

Responsável pela concessão da Marina da Glória, o prefeito do Rio, Cesar Maia, disse que não está interferindo nas negociações e ratificará a decisão tomada pelo Comitê Organizador dos Jogos (Co-Rio). Já a concessionária Marina da Cidade, responsável pelo empreendimento de R$ 41 milhões, informou que estuda as adequações pedidas pelo Iphan com o objetivo de apresentá-las na quinta-feira.

As obras do local continuam embargadas. Segundo a Empresa Brasileira de Terraplenagem e Engenharia (EBTE), as obras teriam que começar até o fim deste mês, caso contrário, não serão concluídas a tempo. Em nota sobre o projeto, o CO-Rio afirmou que ele terá que respeitar as regras estabelecidas pela Organizacão de Desportos Pan Americanos (Odepa), para que estejam prontas para as competições de vela.

[Jornal do Commercio, Michel Castellar, 24/out]

[Joylce Dominguez, Movimento de Defesa do Parque do Flamengo, Rio de Janeiro RJ]