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Joylce Dominguez O Parque do
Flamengo, mesmo tombado por lei federal (Processo nº 748-T-64, inscrição
livro Tombo nº 39, 28/07/1965) e sem autorização prévia do IPHAN, poderá
vir a ter 10% de sua área pública e não edificável transferida à iniciativa privada, via concessão,
para a execução (já em andamento) do Projeto
de Revitalização da Marina da Glória, um mega-empreendimento da
Prefeitura do Rio e iniciativa privada que sob o pretexto dos Jogos
Pan-Americanos envolverá a instalação, junto à enseada da Glória e seu
entorno imediato de um pool de comércio e serviços que não se coadunam
com o espírito norteador do Parque. A obra em questão vem sendo executada no interior de área pública tombada de 10,5 ha, já cercada por tapumes, onde já se desmontou a Área de piqueniques original, arrancaram-se inúmeras árvores, desfiguraram caminhos e jardins e isolaram a prainha. A proposta acima que já obteve licença do Governo do Estado e do IBAMA, que descaracteriza o projeto moderno e altera o uso original do parque, terá, em uma área de 105.890 m², definida como não edificável, terá uma taxa de ocupação de 33,93% (área de projeção do pavimento térreo) com obras como: um centro de convenções e um shopping center (13.566,5m²); centro de exposições (19.153,50 m²), três restaurantes e um espaço gourmet (7.531m²), garagem e estacionamento (41.235,30 m²) para 1802 vagas. Outros acréscimos na paisagem do parque compreendem: passagens de nível no cruzamento entre a ciclovia e a entrada da Marina, 14 novos píeres e flutuantes, deck (área não especificada), farol (25 m de diâmetro), sanitários e vestiários (área não especificada), depósito (500 m²), novo molhe (quebra mar com plataforma de 200 m de comprimento) em parte externa à enseada, terminal turístico (estação de barcas para passageiros com 2.233 m² de área construída e 9,85 m de altura no seu ponto mais alto.) Além do adensamento,
o empreendimento resultará em aumento em altura construída, uma questão
fundamental a ser considerada, dada a magnitude da paisagem na qual
se insere. Só o Centro de Convenções previsto produzirá uma massa edificada
contínua de 230 m de extensão com altura de 17,35, que é uma altura
correspondente a um prédio de quase 6 andares em relação ao nível do
espelho d'água da Baía de Guanabara. Tais
construções, se levadas adiante, criarão um obstáculo visual irreversível
na frente do Pão de Açúcar e dos morros da Urca e Cara de Cão para qualquer
observador que caminhar entre a área da marina e a Escola Naval ou passar
de carro pelas pistas do Aterro. Outra questão
a considerar é a sobrecarga do trafego e o número de veículos circulando
na área, atividade incompatível com o uso do Parque. O acesso livre
à paisagem também está em risco pela proposta de inserção de uma
“Divisória de proteção da Marina da Glória” com chapas de policarbonato cristal com microfuros,
de 1,95m de altura justaposta
à murada baixa que contorna toda a enseada da Glória. Com relação
à defesa do tombamento do Parque do Flamengo e da preservação da paisagem
da baía da Guanabara, nos encontramos em situação similar àquela que
leva a Gilberto Ferrez, em seu parecer em
defesa do tombamento individuado do Pão de Açúcar a observar: “Parece
inacreditável que tenhamos que alinhar dados e fatos para provar a necessidade
do tombamento do Pão de Açúcar” - o símbolo de nossa maravilhosa cidade. Várias Associações
de Moradores já manifestaram seu repúdio à essa obra. Você pode declarar seu apoio à paralisação das
obras de Revitalização da Marina
da Glória, que vêem descaracterizando esta obra exemplar da arquitetura/paisagismo e urbanismo modernos brasileiro. Por
favor, encaminhe este texto, com uma mensagem pela preservação do Parque
do Flamengo, para o e-mail analandscape@zipmail.com.br
e reenvie para pr@planalto.gov.br; marina.silva@mma.gov.br; gm@minc.gov.br; gabmin@mct.gov.br; anabretas.pgc@iphan.gov.br;
projur.bsb@iphan.gov.br; gab@iphan.gov.br
e sua lista de e-mails para outros possíveis apoios. Esta é uma campanha apoiada pela ABAP (Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas) [Joylce Dominguez, Movimento de Defesa do Parque do Flamengo, Rio de Janeiro RJ] |
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