De: Joylce Dominguez
Data: Saturday, November 25, 2006 6:47 PM
Assunto: Moção de repúdio pelas obras do Parque do Flamengo

De 22 a 24 de novembro, cerca de 300 arquitetos paisagistas estiveram reunidos no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro para o 1º Congresso Internacional da ABAP: metodologias e práticas projetuais em arquitetura paisagística na América Latina.

Ao final da apresentação e discussão dos temas objeto do Congresso - Paisagismo e Memória; Paisagismo, Natureza e Cultura; Paisagem e Representação Gráfica: desafios e possibilidades; Paisagismo e Futuro, desdobramentos e perspectivas; foi apresentada uma moção de repúdio às ações governamentais e empresariais que atingem interesses paisagísticos, urbanísticos, patrimoniais, ambientais da cidade do Rio de Janeiro e até mesmo do país, referentes às obras em curso no Parque do Flamengo.

Os manifestantes fizeram questão de afirmar que sua posição contrária ao projeto proposto pela Prefeitura para a área da Marina da Glória, não tem nenhuma relação com os Jogos Panamericanos, nem é contra nossos atletas olímpicos, merecedores de todo respeito, admiração, torcida e orgulho. Mas vale lembrar que em uma sociedade democrática, acima de interesses particulares, devem prevalecer os interesses coletivos. Portanto, consideram que empreendimentos desse porte têm que ser apresentados de forma transparente, obtendo sua aprovação nas diversas instâncias governamentais e junto à sociedade civil.

O que não se pode admitir, afirmaram, é que premências como a do Pan, sirvam como pretexto para se desprezar os procedimentos legais definidos pela legislação cultural, ambiental e urbanística, que entre em choque com o maior ícone visual do Rio de Janeiro e do Brasil: o Pão de Açúcar às margens da Baía de Guanabara, que empreendimentos de caráter totalmente privado se apropriem de uma área integrante de um parque público, transformando um ambiente tranqüilo, protegido das tensões cotidianas da metrópole, sucesso de público nos últimos 40 anos, num megaempreendimento que reúne atividades que nada têm a ver com o Parque ou com a Marina e cujo funcionamento exige a criação de 2 mil vagas de estacionamento.

O manifesto foi assinado por mais de 100 profissionais participantes do Congresso, dentre eles, um grande número de latino-americanos.

Na oportunidade, foi lida e aclamada por todos a declaração do Centro Argentino de Arquitetos Paisagistas, assinado em Buenos Aires em 16.11.2006
pela Presidente e pela Secretária Geral da entidade, arquitetas Marta Ibarborde e Virgínia Laboranti, respectivamente, e pela Presidente do Comitê de Jardins Históricos, arquiteta Mirta Alá Rué, cujo teor sintetizamos abaixo:

- Apoiar a defesa do projeto original de Burle Marx enquanto obra de arte de interesse social, no seu justo equilíbrio entre cheios e vazios;
- Apoiar as atribuições do IPHAN como órgão de fiscalização de uma área declarada como patrimônio;
- Repudiar as ações deflagradas pela especulação imobiliária privada ou pública que atentem contra o interesse social.

[Joylce Dominguez, Movimento de Defesa do Parque do Flamengo, Rio de Janeiro RJ]