| De:
Sandra Fayad
Data: Thursday, June 01, 2006 11:10 PM
Assunto: Resposta a Frederico Flósculo
Prezado Professor Frederico
Barreto,
Infelizmente nada
entendo de Arquitetura. Sinto uma certa aversão à política,
embora possua formação profissional estreitamente ligada
a esse segmento de atividade.
A reunião do
COMPRESB, a convite da nossa líder comunitária, foi a
primeira na qual participei e - confesso a minha ignorância -
não conhecia a composição da mesa.
Talvez por intuição, quiçá por observação,
o fato é que me senti parte de uma periférica platéia
diante de mais uma representação teatral da lamentável
conjuntura em que vivemos. Irrita-me a hipocrisia e o jogo de interesses,
especialmente quando há negação dos objetivos da
coletividade em favor de situações individualizadas. Palavras
de efeito, jogo de cena em parceria ou em confronto, citações
subliminares refletem diretamente no meu metabolismo, levando-me a náuseas.
O Sistema (agentes, reagentes ou não) apodreceu de tal forma
que tenho a impressão de que não mais germinará.
Percebia-se facilmente que a pauta da reunião estava direcionada
para a recepção da histórica proprietária
da escola pelos senhores "guardiões" do patrimônio
histórico do DF, tendo como guru ausente o incansável
Oscar Niemayer que, ironicamente, havia burlado suas próprias
regras na elaboração do grandioso projeto arquitetônico
da Universidade a ser construída.
Os interesses da
coletividade, a realidade atualizada da população pareciam
ser o ato deslocado do texto central. Não era para ser avaliado,
nem tecnicamente nem socialmente. Mas o que fazer para aplacar a fúria
daqueles pobres coitados, que esperavam sair dali alguma decisão
favorável à sua reinvidicação? Na falta
de pão, jogaram-nos brioches de filosofia, besuntados com lampejos
de democracia anunciada de forma humilhante: "Para mostrar que
este Conselho está aceitando, agora, a participação
da comunidade em suas reuniões, vamos permitir que a representante
diga algumas palavras..."
Após ler o
que o senhor escreveu a respeito, sou capaz de acreditar que esta tímida
"abertura" é reflexo das suas considerações,
em julho/2002. A
leitura da sua biografia e do seu artigo sobre o papel do COMPRESB,
publicado no Jornal do CREA, confirmou a minha suspeita e a do Grupo
de Moradores de que estavam mesmo nos vestindo de palhaços mais
uma vez e nos fazendo virar cambalhotas para divertí-los, de
forma irresponsável. E
o pior é que o show era pago...por nós.
Já transmiti ao Grupo
a sua disposição para discutir o assunto. Agradeço
em nome de todos a sua participação, seja de que forma
for, e o seu apoio à nossa causa. Continuamos mobilizados, porém
reféns dos casuísmos dos gestores da coisa pública,
que tão bem alimentamos.
À sua disposição
Sandra Fayad
[Sandra Fayad, economista,
é autora do artigo que inicia esse fórum de debates]
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