De: Patricia Neme
Data: Saturday, June 03, 2006 5:26 PM
Assunto: Brasília

Prezada Sandra,

Cheguei em Brasília em janeiro de 62, o que me permitiu conhecer o nascedouro dessa capital. Um momento especial, onde todos éramos abraçados pela mansidão do planalto central. Não me lembro de portas trancadas. Pertenço à uma juventude que fazia suas festinhas caseiras, cujo convite ia passando de um pro outro, e o dono da casa a escancarava, recebendo todos que chegassem.

Hoje, embora distante, mas mantendo contato com velhos amigos, sei da violência que nela reina; a começar, aquela gerada pelo próprio poder público, com seus permanentes exemplos de banditismo. A cidade está saqueada, pois o exemplo vem de cima, não é mesmo? Então, aplaudo seu posicionamento pela permanência das grades nas quadras 700 - e em todos os lugares. Pelo menos dentro de nossas casas, precisamos sentir um pouco de tranquilidade. O Estado não pode nos impedir de tal direito, já que é o primeiro que nos tem, a todos, acuados. E com todos os impostos que pagamos, não nos garantem coisa alguma, seja em que área for.

Paz em Deus,

[Patricia Neme, engenheira e tradutora formada na Alemanha, poeta, Brasília DF]