| De:
Luiz Otavio A. Rodrigues
Data: Thursday, June 08, 2006 9:32 AM
Assunto: Minha cidade 163 - Brasília
Prezada Senhora Sandra Sayad,
Toda intervenção
no espaço urbano do Plano Piloto de Brasília, área
tombada pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade, deve
ser avaliada, por motivos óbvios, pelo Conselho de Gestão
da Área de Preservação de Brasília. Pelos
mesmos óbvios motivos, os arquitetos têm assento nesse
Conselho, representados pelo Instituto de Arquitetos do Brasil - Departamento
do Distrito Federal, IAB/DF.
A questão das grades
das quadras 700, antiga reivindicação dos moradores locais,
é questão delicada, que deve ser resolvida com atenção
e cuidados necessários.
É legítima e
pertinente a reivindicação dos moradores por segurança,
numa cidade cada vez mais violenta. Os espaços, públicos
ou privados, podem, até certo ponto, favorecer ou coibir certas
atividades, conforme seu dimensionamento, forma ou localização.
No entanto, as formas de apropriação do espaço
pela população são criativas e imprevisíveis
(ainda bem!) tornando a atuação do arquiteto ou do gestor
do espaço urbano limitada.
A questão das grades
das 700 é polêmica por tratar-se de apropriação
de espaço público por particulares. Há que se considerar,
contudo, a necessidade legítima de proteção do
patrimônio dos moradores contra os mais diversos tipos de violência
urbana.
É preciso achar parâmetros
razoáveis de permissão de uso onerosa do espaço
público e buscarem-se instrumentos de fiscalização
e controle, coibindo-se abusos e garantindo-se também a segurança
dos transeuntes, que, diga-se, muito provavelmente são os próprios
moradores, ou seus filhos.
É com essa preocupação
que o representante do IAB/DF no COMPRESB, o arquiteto e professor José
Carlos Córdoba Coutinho, vem-se manifestando sobre esse e outros
assuntos atinentes a intervenções no espaço urbano.
Lembrando sempre que as intervenções urbanísticas
não resolvem o problema da violência urbana.
O IAB/DF acredita que conflitos
de interesses numa sociedade plural se resolvem com responsabilidade,
ponderação e estudo criterioso, visando ao bem-estar e
à qualidade de vida do indivíduo, sem perder a perspectiva
do interesse coletivo.
Nesse sentido, o IAB/DF se
sente plenamente representado pelo professor Coutinho, ex-presidente
desse Instituto, professor competente e experiente, que, aliás,
é um dos "velhos Dons Quixotes" que, ainda hoje, continua
a lutar por uma sociedade mais justa e um país melhor.
Atenciosamente
[Luiz Otavio A. Rodrigues,
Presidente em Exercício do IAB/DF, Brasília DF]
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