| De:
Sandra Fayad
Data: Friday, June 09, 2006 2:07 PM
Assunto: Sandra Fayad responde a Aldo Paviani
Prezado Professor
Aldo Paviani,
Posso dizer que, se
o meu texto não atingir o objetivo de contribuir para a manutenção
das grades ao redor das casas das Quadras 700, pelo menos terei tido
contato virtual com pessoas muito interessantes, como é o senhor,
o Abílio e todos os demais participantes deste Fórum.
Orgulho-me de contar por aí afora que moro em Brasília,
pois identifico-me totalmente com esta cidade que vi nascer e crescer.
Posso afirmar que amo de paixão este pedacinho do Brasil, até
mesmo no período seco do inverno, quando todos (incluo-me) estão
a reclamar umas gotinhas de chuva para minimizar os efeitos da seca.
Toda a minha vida
profissional esteve vinculada ao Serviço Público e, infelizmente,
convivi com os casuísmos e as decisões sempre a reboque
do que acontece na prática. A falta de planejamento em todas
as esferas do Poder sempre causou grandes estragos na sociedade, especialmente
nas áreas econômica e social que, em última instância,
são praticamente tudo.
Vi o bastante para estar convencida que o nosso é só mais
um caso da espécie. Irão "empurrando com a barriga"
enquanto puderem, mantendo-nos reféns dos interesses eleitoreiros,
a menos que aconteça um fato extraordinário que os acione
a dar uma resposta pública de emergência. Pergunto-me por
que não indenizaram corretamente os proprietários das
fazendas incorporadas ao Distrito Federal, evitando que os grileiros
recomprassem as terras, que continuam sob demandas judiciais intermináveis;
por que não se preocuparam em evitar a emigração
descontrolada à cidade; por que deixaram que os condomínios
se alastrassem; por que não cuidaram de criar novas frentes de
trabalho, em parceria com o Governo de Goiás. Nesta última
questão, o que se vê é uma faixa de terras ocupadas
de forma desordenada - um anel de pobreza - pressionando a área
central, com demandas de toda a ordem.É claro que nós,
moradores do Plano Piloto, temos por que nos preocupar com nossa segurança.
Estamos no Centro de um Barril de Pólvoras. Somos privilegiados
aos olhos de toda essa gente, sem emprego, sem escolas, sem saúde.
Paradoxalmente, este último Governo Federal, ao adotar as medidas
de concessão de bolsas disso, bolsas daquilo, auxílio
tal e qual, acabou gerando uma nova massa de desocupados. Já
tive notícias de famílias, aqui no DF, que não
querem mais trabalhar, porque conseguem receber até três
salários mínimos (R$ 1.050,00) só de bolsas e auxílios.
Com isto garantido, ficam zanzando pelo Plano Piloto, pedindo esmolas
nas portas dos Bancos, guardando carros, comendo as sobras dos restaurantes,
fazendo uso de drogas e, quem sabe, agindo como informantes para os
criminosos sobre os nossos hábitos rotineiros. Veja ali na 315
norte, próximo ao Banco do Brasil um exemplo disso.
Li atentamente o seu
comentário e fui conferir as chamadas com o seu nome no Google,
onde pode-se encontrar um vasto e riquíssimo currículo.
Sei que a sua opinião a respeito da nossa reinvidicação
é de fundamental importância, pela vivência e conhecimento
acumulados. aAradeço o seu interesse e, em nome dos moradores,
peço que ajude-nos a encontrar um caminho mais eficaz para desatar
esse nó.
À sua disposição
[Sandra Fayad, economista,
é autora do artigo que inicia esse fórum de debates]
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