| De:
Sandra Fayad
Data: Friday, June 09, 2006 4:21 PM
Assunto: Sandra Fayad responde a Luiz Otávio Rodrigues
Prezado Sr. Luiz Otávio
Rodrigues,
Obrigada pela sua
manifestação ao meu texto.
Não tenho
dúvidas quanto à preocupação e boa vontade
da presidência do IAB em combinar a preservação
do Patrimônio Histórico com os interesses sociais da população
que o ocupa.
Também não
disponho de elementos outros para opinar, muito menos julgar, a competência
e as decisões do COMPRESB, até mesmo porque nem Arquiteta
sou.
Entretanto, naquela
reunião específica, onde houve, mais de uma vez, a menção
de que estavam permitindo a presença de público (nós),
em caráter excepcional, como uma concessão especial, senti
que não houve nem disposição nem interesse para
solucionar o caso. O relator. de quem não gravei o nome, manifestou-se
contrário, a priori, utilizando-se de argumentos filosóficos
e citações de autores que defendem idéias para
serem aplicadas a uma sociedade ideal, a um sistema perfeito de governo
e de segurança. Os demais conselheiros estavam alheios ao assunto,
ou apenas ouvindo o relator sem interesse, pois ninguém pediu
a palavra para se manifestar contra ou a favor da nossa reinvidicação,
como ocorreu no caso do projeto do Arquiteto Oscar Niemayer para a construção
da Universidade. Neste caso, praticamente todos tinham algo a dizer,
desviando tanto do objetivo, que fez-se necessário uma das Conselheiras
lembrar-lhes da razão de estarem ali reunidos.
As pessoas designadas
para decidir sobre o destino das outras pessoas deveriam fazer antes
um exercício: "Como se transportar para o lugar do outro".
Francamente, eu me
senti uma perfeita idiota.
A revogação
da Lei, que vigorou por 12 ANOS, concedendo-nos o direito ao uso do
espaço de 5 metros na parte frontal e de 1 metro na parte dos
fundos das casas, mediante a instalação de cercas, foi
injusta e imprópria. No vigor dessa Lei, as pessoas investiram
suas economias em grades, pisos, iluminação, etc. e agora
querem derrubar. Aliás, aqui em Brasília, existe essa
mania: derrubar tudo. Na quadra onde moro há 22 anos, antes da
vigência da Lei, já vieram com tratores, picaretas, machados,
arrastando as construções com a Imprensa a tiracolo a
mostrar-nos como se fôssemos criminosos. Diante de uma liminar
na justiça, pararam. Os moradores atingidos ficaram com os prejuízos
e nunca mais se falou no assunto.
Lembro-lhe que, ao
cercar, também cuidamos da área em volta das casas. Não
sei se o senhor já andou por estas bandas. Se não, experimente!
Venha ver os lindos jardins que construímos entre as grades e
as calçadas. Há coisas que até Burle Marx ia adorar.
Com isso, minimizamos custos para o Serviço de Limpeza Urbana,
pois nos tornamos responsáveis pela manutenção
e organização do espaço próximo às
nossas residências. Como o senhor mesmo afirmou, os transeuntes
são os próprios moradores. Mais uma razão para
estarmos preocupados em manter tudo muito limpo e bonito. Mas, lamentavelmente,
há perigos, representados por roubos e assaltos de outros transeuntes
mal intencionados, que tem acesso livre ao local.
Por estas razões,
peço a sua interferência junto ao professor José
Carlos Córdoba Coutinho a favor da nossa causa, restabelecendo
o direito que já conquistamos em Lei.
Coloco-me à
sua disposição.
[Sandra Fayad, economista,
é autora do artigo que inicia esse fórum de debates]
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