De: Euclides Oliveira
Data: Saturday, June 10, 2006 9:54 AM
Assunto: Resposta a D. Sandra

Prezada D. Sandra,

Só posso ser de alguma ajuda aos moradores das quadras 700 narrando a minha experiência aqui em São Paulo. Sou contra grades, não apenas porque elas entristecem a cidade, transformando-a em uma imensa prisão (nós ficamos presos dentro de casa e os bandidos livres nas ruas!), mas porque elas realmente não nos protegem de assaltantes, dão-nos apenas uma falsa sensação de segurança. Quando uma quadrilha quer assaltar um prédio ou casa, ela espera um morador chegar ou sair pelo portão para rendê-lo e assim, ameaçando-o com uma arma, forçar sua entrada no lugar. Como escrevi na minha mensagem anterior, pelo menos uma vez por semana, acontecem por aqui arrastões em prédios da alta burguesia, que contam com seguranças armados, grades eletrificadas, circuito interno de TV, etc. O esquema é inevitavelmente aquele eu narrei acima e quase sempre dá certo. Sou um velho arquiteto que ainda acredita, apesar de todos os pesares, que a alma de uma cidade está em suas ruas, em seus espaços públicos e que temos de tentar manter nossa relação harmoniosa com eles, por mais difícil que isto seja nestes tempos bicudos. Veja o caso do meu prédio que eu citei como exemplo; trancas eletrônicas nas portas e um interfone para se falar com o porteiro, do lado de fora, garantiram nossa segurança nos últimos 20 anos. Nosso condominio é invulnerável? Claro que não, se um dia uma quadrilha resolver nos assaltar, assalta mesmo, com ou sem grades, não roubam eles bancos, fábricas, empresas e até hospitais? Mas enquanto isto não acontece, pelo menos desfrutamos do contato com a nossa rua, que é arborizada, agradável. Não sou especialista em segurança, mas devem haver outros meios de vocês se protegerem, como alarmes nas portas das casas, um guardinha numa guarita, um guarda-noturno contratado pelos moradores, melhor iluminação à noite, cães-de-guarda, moradias interligadas por interfones e conectada com uma delegacia próxima... Acho, sinceramente, que a grade é a pior das saídas para este problema, aqui em Sampa ou aí, em Brasília. Sinto não poder fazer mais por vocês.

Cordialmente

[Euclides Oliveira, arquiteto, São Paulo SP]