| De:
Euclides Oliveira
Data: Wednesday, June 14, 2006 9:48 AM
Assunto: Quadras 700 (Brasília)
Caro Marcelo, sensação
de segurança não é segurança e acho que
o prejuizo que as grades causam ao espaço urbano não compensam
este sentimento. Cidades são organizações complexas,
onde o espaço público interage continuamente com o privado
para formar um todo coeso, integração esta facilmente
bloqueada pelos gradís, que assinalam agressivamente o que é
de propriedade privada e o que não o é. Bem sei que, em
geral, este gradeamento é legal e opção legítima
dos proprietários dos imóveis, mas é um sinal dos
tempos atuais, essa visão mesquinha que a classe média
tem do que não vem em seu beneficio particular, ou seja, "dane-se
a rua, o bairro, a cidade, a sociedade, estou fechando o que é
meu". No Rio de Janeiro, onde ainda existem inúmeros edifícios
construidos no alinhamento, sobre pilotis, é que podemos avaliar
melhor este "Apartheid" entre a rua e o pavimento térreo
dos prédios; onde antes o espaço fluia agradavelmente
entre o público e o privado, hoje vemos apenas uma série
de "gaiolas", opressoras e inamistosas para com quem anda
pelas calçadas da cidade. No presente caso de Brasília
a situação ainda é mais grave, pois contraria a
concepção do urbanista (Lucio Costa) e pelo que entendi,
as grades estão sendo erguidas sobre o espaço público,
ou seja, há ali uma pequena "privatização"
da área verde contígua; por isto tenho insistido em falar
que existem outras maneiras de se promover a segurança dos imóveis
além do simples gradeamento da propriedade. Um abraço.
[Euclides Oliveira,
arquiteto, São Paulo SP]
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