De: Sandra Fayad
Data:
Sunday, September 24, 2006 7:38 PM
Assunto: Artigo do professor Aldo Paniani - Na prática...

Professor Aldo Paviani,

Aproveito a oportunidade par a informar que o COMPRESB concordou parcialmente com a proposta dos moradores das Quadras 700, restabelecendo o direito ao gradeamento ao redor das casas, mediante ônus pela utilização da área. Só que a autorização vai gerar novas demandas por parte dos moradores. Permitiram a utilização como garagem só para os que estão nas esquinas (no início e no final de cada bloco). Significa dizer que quem mora na esquina tem mais direito de ter outros carros do que quem mora no meio do bloco? É cada uma...

Esta questão dos condomínios tem sido bandeira para campanhas “eleitoreiras” não é de hoje. Agora mesmo está sendo mais uma vez. Os candidatos fingem de vão resolver o problema e os moradores fingem de acreditam nisso. Para provar que estão falando sério, candidatos que têm trânsito fácil nos meios governamentais vão facilitando a vida dos interessados, conseguindo-lhes benefícios como saneamento, escolas, postos de saúde e de polícia, iluminação pública, asfaltamento, meio fio, etc. Ali instalam-se igrejas, escritórios da EMATER, SEBRAE, SENAR e por aí vai. De forma que o Governo arrecada direta e indiretamente através da CAESB, CEB, TERRACAP e o Patrimônio da União também (taxando o uso da terra pública, se for considerada dele).Pra que regularizar? Como despejar os ocupantes, se estão sendo reconhecidos oficialmente como tais? É uma maravilha essa estória de terra pública em Brasília: rende votos, ônus para os cofres públicos e para os ocupantes, processos na Justiça do Governo contra os grileiros e os ocupantes, dos grileiros contra o Governo, dos ocupantes contra os grileiros e contra o Governo. Gera também hantavirose outras doenças, devido ao lixo acumulado ao redor dos condomínios e destruição da flora e da fauna do Parque Nacional. Desculpe o cinismo, mas não é uma delícia viver em uma sociedade como esta? Eu só queria que alguém levasse a sério as coisas neste meu querido Distrito Federal e neste meu amado e pobre Brasil.

Um abraço, Professor.

[Sandra Fayad, escritora, Brasília DF]