| De:
Benedito Tadeu de Oliveira
Data: Friday, December 15, 2006 11:01 PM
Assunto: Paulo Mendes da Rocha e o edifício tombado na Praça
da Liberdade em Belo Horizonte
Quanto maior o ego, maior é
o estrago.
Meu professor Renato Bonelli,
crítico, historiador da arte e ex-diretor da Escola de Restauro
de Monumentos da Universidade de Roma – La Sapienza, dizia que
os inimigos mais perigosos do patrimônio cultural são os
arquitetos modernos.
O projeto do renomado arquiteto
Paulo Mendes da Rocha de reforma da edificação da Secretaria
de Educação, situada na Praça da Liberdade de Belo
Horizonte, protegida pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico
e Artístico de Minas Gerais - Iepha, confirma a máxima
do conceituado teórico do “restauro crítico”
italiano.
Paulo Mendes da Rocha sabe
que a arquitetura não é constituída somente de
fachadas, mas também de intenções plásticas,
espaços internos, volumetria, ornamentos, sistemas construtivos,
técnicas e materiais de construção. Como arquiteto,
com uma reconhecida trajetória profissional, e sobretudo como
ex-professor da FAU/USP, deveria ter se interessado um pouco pela história
do restauro e pela teoria moderna de restauração, hoje
universalmente reconhecida e aceita, antes de se aventurar na sua nova
atividade de intervenção em bens culturais; ou então
se espelhado no exemplo do Mestre Lúcio Costa, que revolucionou
a arquitetura e o urbanismo no Brasil, sem ter contribuído para
a destruição de nossas heranças culturais. Muito
pelo contrário; Lúcio Costa, com seu discernimento e sabedoria,
tinha tanto cuidado e respeito com o patrimônio histórico
e artístico nacional que dizia: Em Ouro Preto menos é
mais.
Projeto semelhante também
de autoria de Paulo Mendes da Rocha para o Museu Nacional de Belas Artes
no Rio de Janeiro foi prontamente rejeitado em 2005 pelo Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan.
Cabe agora ao Iepha, um dos
mais prestigiados institutos de preservação do patrimônio
cultural do País, destombar a edificação para promover
a marca do arquiteto moderno e da Fiemg na Praça da Liberdade.
E também explicar à sociedade civil e aos Ministérios
Públicos Estadual e Federal, o porquê da sua decisão
de interromper a transmissão para o futuro dos valores republicanos,
que o conjunto arquitetônico da Praça da Liberdade testemunha
e representa.
[Benedito Tadeu de
Oliveira, Arquiteto, doutor e diretor do Iphan de Ouro Preto, Ouro Preto
MG]
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