| De:
Myriam Bahia Lopes
Data: Wednesday, December 27, 2006 10:10 PM
Assunto: Resposta a Euclides de Oliveira
Caro Euclides,

O quadro é
desolador, concordo, mas não é impossível defender
o patrimônio cultural e ambiental brasileiro. Veja o caso da suspensão
das obras das duas torres Edifícios Pier Maurício de Nassau
e Pier Duarte Coelho em Recife obtidas pelo Ministério Público
Federal (MPF) junto ao STF.

No dia 15 de dezembro
de 2006 assisti a uma reunião do Conselho Municipal do Patrimônio
e acompanhei a dificuldade que foi aprovar projeto para a edificação
da Secretaria de Educação, que havia sido contratado dentro
do Circuito Cultural Praça da Liberdade. A reunião durou
das 14:00 às 21:00h.

Na mesma sessão,
enquanto duas senhoras, proprietárias de edificação
residencial no bairro Floresta em Belo Horizonte tiveram recusado pelo
Conselho o pedido de preservar a fachada e alterar o interior da edificação,
o governo estadual conseguiu a aprovação do projeto do
arquiteto Paulo Mendes da Rocha e Nelson Brissac Peixoto que mutila
edificação tombada prevendo demolição de
parte significativa de seu interior.

Além
disso a implantação do citado projeto para a edificação
na Praça se faz a partir da desmontagem do bem sucedido e frequentado
Centro de Referência do Professor, processo que já começou
na semana passada, destinando o bem tombado a mais um espaço
cultural da FIEMG (Federação das Indústrias do
Estado de Minas Gerais) em Belo Horizonte.

Para refrescar a memória
vale a pena citar um fato. Há alguns anos a FIEMG comprou de
Omar Peres, ex-secretário da Indústria do Comércio
do Estado de Minas Gerais, o lote e as ruinas remanescentes do incêndio
do antigo Hotel Pilão em Ouro Preto criando um centro cultural
da instituição no local. Realizado na Praça Tiradentes,
a FIEMG passaria em um futuro próximo a operar com atividades
culturais também na Praça da Liberdade inscrevendo sua
marca nas duas praças mais importantes de Minas Gerais.

O projeto da Secretaria
de Educação foi aprovado por cinco votos contrários
e sete a favor; a vitória refletiu a aliança política
em curso estabelecida entre os atuais representantes das esferas federal,
estadual e municipal. Um dos representantes no Conselho Municipal de
Patrimônio que são escolhidos pelo Prefeito, e professor
da Escola de Arquitetura da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais),
para citar apenas um exemplo, tem por formação especialidade
que passa bem longe da área de gestão e de preservação
de bens culturais e de patrimônio; ele votou favoravelmente defendendo-o
em nome do progresso e da honra que representaria para os mineiros abrigar
o projeto do premiado arquiteto. Porém a divergência de
interesses e a pluralidade de opiniões persiste e tem gerado
ações com relação ao Circuito Cultural da
Praça da Liberdade tais como a liminar que mantêm embargadas
as obras na edificação vizinha da Secretaria de Finanças,
alvo do concurso recente para a futura sede da Orquestra Sinfônica
de Minas Gerais.
Abraço
[Myriam Bahia Lopes,
historiadora e professora na EA da UFMG, Belo Horizonte MG]
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