De: Sandra Correa
Data: Sunday, April 08, 2007 10:25 AM
Assunto: Praça da Liberdade em Belo Horizonte

Prezada Myriam,

Participei, juntamente com outros 5 arquitetos do concurso da futurasede da OSMG. Desses 05, 03 eram especialistas em patrimônio cultural pela UFBA. A cada passo que dávamos no projeto, nos sentíamos pior à medida que víamos que era impossível atender programa do projeto (sem falar nas questões que Euclides Oliveira já tocou) sem mutilar um patrimônio importantíssimo para Belo Horizonte. Qual não foi nossa surpresa ao visitar o edifício (somos de Curitiba-PR) e constatar que o que o IEPHA considerava como parte não contemplada por "preservação rigorosa" era uma adição (que correspondia a aproximadamente 50%do edifício) que tinha sim interesse artístico e histórico. Ao fim do projeto vacilamos entre entregá-lo ou mandar uma denúncia ao MP. Acabamos entregando, mas sabendo que teria poucas chances por propôr menos interferências possíveis (mas que já eram absolutamente terríveis para o patrimônio) e porque estava claro que o circuito cultural almejava projeção política - o que o liga a "grandes" obras. É decepcionante ver que o IEPHA, órgão de preservação do patrimônio que é considerado exemplar no Brasil, se curvou (já no edital, não só na avaliação do vencedor!) ao dito "progresso". Falso, por sinal. O verdadeiro progresso traz benefícios sociais e culturais à população. Não é o caso. Espero que Minas dê exemplo ao país evitando a mutilação da Praça da Liberdade. Parabéns pelo texto.

[Sandra Corrêa, arquiteta, especialista pelo CECRE/UFBA, atualmente arquiteta concursada do IPHAN/SE]