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7, vol. 5, dez. 2006, p. 175 Guayacán Coquimbo Chile |
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Informe
sobre a Igreja de Guayacán, monumento nacional no Chile |
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Primeiramente gostaríamos de destacar que o nome original deste monumento nacional é Igreja do Coração Imaculado de Maria. Desconhece-se quem começou a registrar o nome da Igreja como Nossa Sra. do Rosário, com certeza isto ocorreu devido à veneração que a imagem de Nossa Sra. do Rosário de Guayacán tem neste templo. O nome Coração Imaculado de Maria foi dado porque no retábulo se encontrava a imagem à qual estava dedicada esta Igreja, e é aqui onde começa esta história. A capela de Guayacán Os historiadores da segunda revolução industrial e principalmente do desenvolvimento da indústria siderúrgica mencionam que, na Europa até 1860, devido ao convertedor Bessemer que em 1856 começou a produzir aço em abundância a um preço razoável unido aos avanços tecnológicos, que de certa forma substituíram os arquitetos por engenheiros e os pedreiros e carpinteiros por mecânicos e funileiros, permitiram que as oficinas oferecessem por catálogos grande variedade de pontes, pavilhões, edifícios, estruturas de aço facilmente ensambláveis com cavilhas. O Chile não esteve à margem daquela corrente progressista e na Província se destacavam o ancião Carlos Lambert, Don José Tomas de Urmeneta García-Abello, Maximiliano Errazuriz Valdivieso e Adolfo Eastman. Os irmãos Edwards Ossandon e muito outros vinculados ao EUA e à Europa que conheciam desta indústria crescente. Das Oficinas de Gustav Eiffel tinham-se trazido desmontadas (1874-1875) a Aduana e a Catedral de Arica São Marcos, duas criações para o Chile, deixando marcada a confiança no avanço tecnológico associado à beleza, que sem problemas resistiram ao terremoto de 1877. Maximiliano Errazuriz em concordância com os avanços industriais e tecnológicos europeus, como engenheiro, adquiriu em 1889 na Societé Anonymé Des Forges D`Asean da Bélgica, uma construção pré-fabricada metálica de aço e ferro tipo meccano, que foi transportada nos primeiros dias de 1889 para ser instalada como igreja, para o que se contratou os serviços de um engenheiro belga, sendo montada em duas semanas, na data de 2 de março de 1889. Instalada sobre carris e uma base de “pedras negras” no pátio dos Estabelecimentos, terminada a terraplenagem e a pintura, a igreja foi benzida pelo Bispo de La Serena Dom Antônio Orrego em uma cerimônia religiosa ante autoridades e personalidades do mais seleto da sociedade. Detalhes arquitetônicos A igreja apresenta uma estrutura leve e fácil de montar, inteiramente metálica de aço, com um fechamento perimetral de resistentes placas em releve de latão encaixadas em pilares e vigas que enrijecem o conjunto, amarrado interiormente na altura do telhado por tirantes de ferro redondo. A estrutura do campanário se assemelha a uma armação de meccano. Encaixadas em quatro pilares de esquina que sobem até a base do capitel, se encontram as plataformas do coro com sua balaustrada de traceria, a plataforma que serve de teto para o órgão e a plataforma onde se penduram os sinos. Um agudo capitel arremata o campanário. A torre central que harmoniza a fachada simples consegue mais altura através de sua agulha. Possui cinco colunas e oito janelas ogivais em ambos lados. A grande harmonia interior provida de placas em releve e perfilaria metálica forrada formam a capela e uma estrutura de sacristia adossada atrás do presbitério. Seu estilo e decoração são de forte influência neogótica, destacando-se sua simplicidade de linhas, seu esplendor de espaço luz, permitindo a entrada de jogos de cores. Sua nave central é de 10 x 20 metros de forma retangular. Estrutura, fundações e materiais A igreja apresenta uma estrutura leve de aço completamente encaixada (tipo meccano), suas fundações são a base de pedras negras (queimadas em forno) instaladas em carris e um terrapleno. Seu fechamento perimetral é de latão com ferragens e nervuras para sua maior resistência e vigas que enrijecem o conjunto estrutural (tirantes e tracionamentos). Seus muros interiores são de revestimentos metálicos e seu piso é completamente de tábuas de madeira, a igreja contempla janelas tipo vitrais com vidros de cor e marcos de ferro fundido que dão uma grande harmonia em suas fachadas. Seu teto é completamente de latões ondulados estruturados sobre barrotes, que por sua vez (o telhado) está suportado por 10 colunas interiores (5 de cada lado) que dão harmonia ao conjunto. Sobre o telhado, na fachada da igreja, se levanta o campanário (capitel) também de tipo meccano, sustentado sobre pilares de esquina, todo revestido com latões e pinturas. Quanto ao estilo predominante da arquitetura gótica da igreja de Guayacán, o sistema de construção tem como elementos principais a “abóbada de cruz ogival”, o arco em ponta (ogival) e a oposição de abóbadas e de arcos independentes da espessura dos muros, que a fazem única em seu estilo arquitetônico em nosso país. |
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História recente A finais dos anos 50 chegou a Coquimbo o sacerdote holandês Juan Van Hecke pertencente à Congregação dos Missionários da Sagrada Família. Com idéias avançadas trazidas da Europa, onde se estava gerando todo um movimento modernista apoiando-se nas mudanças que vinham ocorrendo na Igreja Católica a partir do Concilio Vaticano II, destruiu a decoração interna de vários Templos de Coquimbo entre as quais destaca-se a Paróquia São Luís e principalmente nossa querida Igreja de Guayacán que foi a que mais sofreu os desmandes deste Religioso. Com o pretexto de restaurar a Igreja em seu interior fechou-a por um tempo, após o qual a entregou ao povoado com a decoração que atualmente se pode apreciar, o impacto foi tal entre os fiéis que até os dias de hoje os idosos lembram esse instante de voltar a entrar em sua Igreja totalmente mutilada, alguns fiéis, emocionados, comentam este acontecido que escandalizou a muitos e os afastou até hoje em dia deste templo já que nada se podia contrapor ao Padre Juan por seu conhecido caráter. Como contam alguns dos que trabalharam na demolição do patrimônio arquitetônico do templo, não encontravam razão nisso já que o retábulo e demais acessórios se encontravam em perfeitas condições, colocando abaixo o argumento de que estava todo maltratado e envelhecido. O próprio Padre, com serrote na mão, destruía o formoso retábulo despojando de todo seu esplendor interno. No centro deste retábulo sobre o altar à altura das janelas se encontrava a formosa imagem de Nossa Sra. com seu Coração Imaculado, imagem tão nostálgica e recordada pelos fiéis idosos de Guayacán. Ao lado desta imagem se encontravam as do Sagrado Coração de Jesus no lado direito, e a de São José no esquerdo. As imagens do retábulo medem aproximadamente 1,50 m cada uma. Na altura destas imagens, no centro sobre o altar, o retábulo tinha um trono para a exposição do Santíssimo Sacramento. Este retábulo era todo de madeira fina e hoje só se podem apreciar umas mínimas partes dele, a ponta ou agulha gótica em que arrematava o retábulo se encontra na casa de um particular em Guayacán e outras partes na Paróquia São Luís. Em uma das paredes laterais, de um lado do presbitério, se encontrava o lustre do Santíssimo. Em ambos os lados do presbitério se encontravam em pedestais de madeira do mesmo estilo do altar, as imagens de Nossa Sra. do Rosário de Guayacán no lado direito e de Santa Inês no esquerdo. Os bancos originais tinham seus suportes de metal com alegorias de videira, no caso das laterais, e simples nas centrais, com madeira no respaldo e no assento. O comungatório era todo de metal com o apoio de madeira. As estações da via crucis eram litografias em molduras decentes. No centro do teto da Igreja pendia um lustre “aranha” precioso. No final da Igreja na escada que dá ao coro se encontrava o confessionário de madeira em estilo gótico e no setor da escada para subir ao campanário a imagem de Nossa Sra. de Pompeya. Guayacán foi declarada zona típica pelo governo em finais de 2005 com o que se pretende proteger o patrimônio arquitetônico do povoado junto aos dois monumentos nacionais existentes na cidade de Coquimbo, a igreja e a Casa Urmeneta, localizada ao lado dela. Esta casa foi propriedade do alsaciano Charles Saint Lambert, que a ocupava como residência de verão. Construída pelo mestre carpinteiro Averell. É uma edificação patrimonial do povoado de Guayacán de 1840, de materialidade vernácula de dupla crepitação. Foi ocupada como casa comercial Urmeneta e Errazuriz, laboratório químico e declarada monumento histórico em 1990. Atualmente se denomina “Casa de Administração do estabelecimento de Guayacán”. Mudanças efetuadas pelo Padre Juan Van Hecke Uma vez retirado o retábulo se colocou em seu lugar um triângulo achatado maciço com um Crucifixo no centro e aos pés deste o sacrário todo em madeira de qualidade muito inferior ao do retábulo anterior. No lugar do altar colocou uma grande mesa exagerada totalmente contrária ao mandato litúrgico, em que estão proibidos os altares com forma de mesa vulgar. Outras mudanças efetuadas pelo Padre Juan Van Hecke:
Paradeiro dos itens desaparecidos Depois de um tempo de investigação pudemos encontrar o paradeiro das seguintes coisas:
Esperamos resgatar estas coisas o mais rápido possível, e poder restaurar nossa querida Igreja com seu esplendor de antanho. Ficha técnica Denominação Localização Origem Estado Proprietários |
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Rodrigo Orlando Taborga Cortés, desde 2000 se dedicou a pesquisar sobre a Igreja de Guayacán. A princípios de 2001 consegue recuperar o antigo harmônio da Igreja de Guayacán que durante anos permaneceu abandonado na casa paroquial de São Luís de Coquimbo. Atualmente é o principal gestor do projeto de restauração interna da Igreja de Guayacán, Monumento Nacional desde 1977. Mauricio Esteban Carmona Hormazabal cursa Filosofia na Universidade Católica do Norte, Campus Guayacán. Graças a sua proximidade com o Padre Van Hecke consegue obter informações sobre o que aconteceu com o desarme do retábulo da Igreja e a localização de outros objetos. Atualmente cursa Direito na Universidade do Mar sede La Serena colaborando bem de perto com o projeto de restauração interna da Igreja de Guayacán. Tradução Ivana Barossi Garcia |
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| Minha Cidade 175 – dezembro 2006 | ||||||||||||||
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