| De:
Liane Makowski
Data: Saturday, March 03, 2007 9:29 AM
Assunto: Para o Forum de Debates: Minha Cidade 177 - "Pelo Direito
à Cidade"...; em e-mail aos colegas do IAB Jundiaí
Caro Colega
Eduardo Costa envia
e-mail avisando de artigo “Pelo direito à cidade. A desocupação do Edifício
Prestes Maia em São Paulo”, de sua autoria e de outros colegas publicado
no Portal Vitruvius.
A reflexão desses
jovens arquitetos e estudantes de arquitetura, é um testemunho da responsabilidade
de cada um de nós frente aos fatos sociais; com propriedade lançam manifesto
a favor da permanência de mais de 2000 pessoas que desde 2001, em busca
de onde morar, em movimento pacífico e organizado, ocuparam prédio há
tempo abandonado no centro de São Paulo; ali, essas famílias realizaram
várias benfeitorias e ações,transformando este espaço sem sentido, num
lugar de referência, em suas moradias. Agora se vêem ameaçadas por uma
ação de reintegração de posse por proprietário que abandonou o imóvel,
deixando entrar em decadência física e que não arrecadava os devidos
impostos; esta só não ocorreu no dia 25/02/2007, conforme previsto devido
a uma liminar do tribunal de justiça de São Paulo que suspendeu por
60 dias a execução.
Chamam atenção para
a luta por moradia e a correlação dessa com as questões da reforma urbana,
do direito à cidade, e à necessidade de viver em locais dotados de infra-estrutura,
equipamentos sociais e empregos como nas áreas centrais das cidades;
apresentam dados sobre o número de pessoas que vivem em áreas urbanas
informais e que parte significativa dessas mora em habitações precárias
ou favelas; ainda reportam que como combater a vacância nos centros
urbanos se tornou uma necessidade para os que reivindicam habitação;
o interessante é que em Jundiaí os dados não se distanciam desse quadro;
lembro que em 2002/2003, quando exercia o cargo de Diretora de Planejamento
na Prefeitura de Jundiaí, coordenando a revisão do Plano Diretor de
1996, escrevi relatório que apontava essa situação, enquanto havia uma
demanda por habitação e novas áreas para urbanização, nas áreas centrais
da cidade, encontravam-se terrenos e prédios subutilizados ou abandonados
e um número significativo de imóveis em condições de uso simplesmente
fechados; os dados confirmavam que nessa área dotada de infra-estrutura,
equipamentos e serviços urbanos, com a devida ocupação dos terrenos
vagos ali existentes se poderia dobrar a área urbanizada da cidade naquela
época; ainda, o número das habitações fechadas superava o número da
demanda por habitação. Mas se preferiu ignorar o fato, estendendo ou
mantendo o Perímetro Urbano e optando pela velha idéia de edificar grandes
conjuntos habitacionais nas áreas periféricas da cidade, destituídas
de infra-estrutura, equipamentos e serviços urbanos.
Soma-se a riqueza
da análise da questão habitacional a denúncia acertada que fazem acerca
da indiferença da sociedade em geral frente ao respeito ao direito de
moradia, sobretudo das categorias profissionais que lidam diretamente
com a conformação do espaço urbano: “Nos últimos dois anos incontáveis
reintegrações de posse, algumas muito violentas, passaram desapercebidas
pela OAB, IAB, Crea, Fenarj, entre tantos outros”. Questionam:
“O que estão fazendo os órgãos representantes desses profissionais que
por princípio, deveriam empenhar-se na construção de uma gestão urbana
mais justa, de uma cidade mais democrática e de uma realidade social
mais digna”? E concluem: ...”deveriam ser atividades obrigatórias
das entidades supra citadas ações em defesa dos interesses públicos,
dos ideais de justiça social e manifestações públicas de solidariedade
e indignação quando temos, como agora, ataques desumanos às parcelas
mais frágeis e desassistidas da sociedade através da negação a um dos
mais básicos direitos garantidos ao cidadão brasileiro através da constituição
federal, a moradia”. (grifos nossos).
A controvérsia lançada
remonta justamente a um dos pilares de criação dessas entidades de categorias
profissionais: a defesa dos interesses gerais da sociedade, sobretudo
dos assuntos referentes aos campos profissionais correspondentes; e
as entidades que respondem pelos campos de arquitetura e urbanismo,
como o IAB e todas aquelas inscritas no Colégio dos Arquitetos, não
podem deixar passar despercebidas questões como essas da desocupação
do Edifício Prestes Maia, inscritas na reforma urbana e do direito ao
acesso à habitação, assunto tão premente e insurgente no nosso injusto
Brasil.
Abraços
[Liane Makowski, arquiteta,
vice-presidente IAB Jundiaí, Jundiaí SP]
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