De: Joana dos Santos Egypto de Cerqueira
Data:
Thursday, March 01, 2007 12:54 AM
Assunto:
S.L.Paraitinga

Li com bastante atenção essas linhas que dizem respeito à cidade onde continuo crescendo e me criando. Realmente as críticas quanto à infra-estrutura de São Luiz em tempos de festas como o carnaval são consideráveis e legítimas. A cidade, realmente, está longe de suportar o enorme contingente humano vindo nos dias de carnaval (mesmo que neste impere a paz).Porém, venho desatar um sério nó atado no decorrer do DÉCIMO TERCEIRO PARÁGRAFO.

Na década de 80, houve o retorno das festas carnavalescas de São Luiz graças à folia e composições de um grupo de jovens destemidos dos "rabos e chifres". Tais composições eram marchinhas de carnaval, sem NENHUM pretexto de marketing e/ou atração turística. Muitas dessas marchinhas se tornaram, hoje, blocos que arrastam multidões, o que não era seu fundamento primeiro. O carnaval que hoje vemos, emergiu da informalidade, diversão e criatividade de jovens da cidade (diferentemente do que se afirma no parágrafo indicado). O carnaval de São Luiz do Paraitinga cresceu pelo "boca-boca", e não com uma política-cultural prévia. A mídia interferiu fortemente na divulgação dessa festa a não menos que quatro anos.

Portanto, a política-cultural da cidade concebeu seu espaço nas agendas de discussões e decisões na medida em que esta se tornava essencial no planejamento turístico construído pelas autoridades municipais. NÂO HOUVE FORJA DE CIDADE FESTEIRA, tanto pelo motivo de São Luiz abrigar, sim sinhô, um povo festeiro raro de se ver.

Realmente, com tanta gente nesse carnaval e todos os impecilhos advindo disso, poucos devem ter se dado conta do jornalzinho que circulou pela cidade "Juca Teles do Sertão das Cotias", que discorria sobre o nascimento ou histórias precedentes desse bloco tão festejado (com artigos de Marco Rio Branco, Luiz Egypto e Judas Tadeu — figuras de extrema importância no cenário luizense). Muitos poucos além devem ter percebido através das fantasias (não só de chitas) o encanto e magia dos cantos luizenses; espírito inexplicável da presença de Baco, na folia colorida e, agora, quase sem espaço, que fazem o carnaval de São Luiz ser o que o tom de suas marchas são.

[Joana dos Santos Egypto de Cerqueira]