De: Benito Campos
Data:
Thursday, March 01, 2007 7:24 PM
Assunto:
Carnaval de São Luiz do Paraitinga

“Expressões e impressões... Minhas, Benito Campos (Juca Teles)”

Fica nas entrelinhas desta matéria uma mal disfarçada crítica contra nossa pequena cidade. Sabemos que toda “unanimidade é burra” e que a crítica mostra as diferenças e faz crescer atitudes e iniciativas para corrigir. Quanto à infra-estrutura temos sim problemas e que já é de conhecimento de todos por aqui e de nossos políticos e que temos consciência de que existe vida inteligente aqui, e além de nossas montanhas e que sua critica vai servir neste aspecto para que a cidade retome efetivamente discussões e busque soluções. Algumas informações já levantadas por outras pessoas, colocaram bem esta questão de marketing cultural usada pela cidade que na verdade não existe marketing nenhum, o que existe efetivamente é uma consciência quase que involuntária de um mundo inóspito e consumista que nos submete para a guerra da sobrevivência senão morremos de fome... O carnaval tem ajudado a levantar a auto-estima da cidade...

Mas vamos lá o que nos interessa:

O Sr. escreve de que os nossos músicos são muitos “jovens” o Sr. queria o quê, que fosse uma legião de anciãos. È sinal que a cidade vem desenvolvendo um bom trabalho com sua juventude com uma das artes mais nobres que é a música procurando oportunizar aos jovens da cidade com a mesma e estes jovens têm evoluído e muito musicalmente falando.

O Sr. diz que a maioria das músicas dos Blocos trazem um apelo sexual (... mais ou menos chulo...), o Sr. pela colocação me oportuna com todo respeito dizer que o Sr. é no mínimo leviano neste enfoque ou extremamente conservador, pediria uma análise mais atenta a todas as letras dos 25 blocos existente na cidade (falam do negativismo das drogas, falam da produção artesanal da pamonha, do amor, dos mitos populares locais, etc, etc...) para que o digníssimo jornalista chegasse a uma melhor conclusão, pelo visto o Sr. só viu o Bloco do Et, Maricota e Pai do Troço (música centenária de Mário Zan, falecido a pouco tempo e cuja a letra feita por um compositor anônimo e o Brasil todo canta esta letra!?) e que as pessoas que fazem carnaval por aqui e que também pensam e vem discutindo este assunto, para que hoje ou amanhã o carnaval das marchinhas não venha a ser generalizado como de forte apelo sexual mas também sem uma nova inquisição. Tal conclusão se embasa na descuidada conclusão que o Sr. obteve ao escrever sobre a cidade, meus respeitos, mas quando embasado numa outra revista turística que circula por aqui e que erroneamente afirma ser São Luís de Tolosa bispo espanhol, São Luís é bispo de Tolouse, é francês tá no sobrenome...Precisamos tomar certos cuidados e não tão simplesmente repassar informações mais também checá-las.

Quanto ao rio barrento na época das chuvas é uma verdade inconteste e que preocupa todos os cidadãos de bem, mas é um problema regional de devastação, afinal a cidade não tem culpa, pois o rio nasce em outro município (Areias ou São José do Barreiro) próximo a serra da Bocaina, o rio hoje tem esgoto tratado, confira... São Luís é terra do maior sanitarista que este país já teve que é Dr. Oswaldo Cruz e tem como outro filho ilustre o Professor Aziz Ab’Saber uns dos mais renomados geógrafos e cientista deste país e terra de músicos como Prof. Elpidio dos Santos , professor e maestro responsável pelas trilhas musicais dos filmes de Mazzaropi...

...com antenas de celular encimando o morro... é uma cidade interligada com o mundo sem marketing, último reduto caipira do Estado conforme afirmou o professor Carlos Rodrigues Brandão que por mais de 10 anos para fins de estudos antropológicos viveu entre “nóis”... quem nos interliga com o mundo são a mídia televisiva, escrita ou online

Como vcs...

O Carnarock ocorre na região sim, mas no município de Lagoinha, não em São Luís do Paraitinga... embora vc mencione região, fica na matéria para um leitor mais desatento que é tudo é a mesma coisa, não é... A propriedade é particular, explorada sem uma consciência maior pelos seus proprietários...

Abílio não vou estender sobre o assunto, sou prolixo demais, embora tenha vc. também levantado uma dúbia afirmação da autenticidade da tradição do carnaval local, olhando pelas datas dos estandartes de alguns Blocos imagino, porque uma boa parte dele nem data possuem mesmo, isto é uma verdade; só que lá se vão quase 30 anos que um grupos de jovens preocupados em resgatar velhas tradições carnavalescas locais trouxe de volta o carnaval de São Luís do inicio do século XX que já tinha sim uma tradição da festa de momo( em 1.920 nós tínhamos um Bloco chamado Espanta Vaca embasado numa jardineira vermelha – ônibus, e que hoje ainda se encontra no carnaval da cidade) e que uma mídia com intenções jocosas afirmou que carnaval de São Luís do Paraitinga (1970 p/ 1980) do século passado, dava rabo e chifre e que a mocidade da época resolveu dar a resposta fazendo novamente carnaval e que quando se fala em tradição não podemos esquecer que somos uma país de 500 anos, um povo em formação e que busca ainda hoje a construção de sua identidade, portanto, somos um povo recentíssimos, mas acho assim mesmo que já possuímos com certeza algumas tradições...

* Espero respostas sem fundamentações academicistas pois não sei se é professor ou jornalista... sou muito emocional e poucas vezes deixo levar pela razão no imediato, Dom Quixote e Sancho Pança me fizeram refletir...

* Prof. quanto ao paraitinguense o Sr. esta certo ´paraitinguense mesmo viu Carlos Murilo.

[Benito Campos, artesão e carnavalesco, São Luiz do Paraitinga SP]