| De:
Leticia Tabachi
Data: Tuesday, April 24, 2007 8:18 PM
Assunto: Resposta a Daniel Paz
Oi Daniel,
Agradeço pelos
comentários, são essas discussões que nos levam
a tomar a iniciativa de divulgar nossos trabalhos para que sejam lidos
e repensados.
As suas colocações
merecem uma réplica minha na tentativa de desfazer qualquer mal-entendido:
- Meu artigo, como
você mesmo coloca, não esta discutindo os ritmos musicais
da Bahia e pouco faz sentido entrar nesse mérito. Acho que a
sua intenção foi trazer mais informações
que acredito serem importantes e quem sabe merecedoras de um artigo
seu sobre o assunto.
- Outra coisa, quanto
me refiro ao espetáculo do carnaval falo exatamente no sentido
“debordiano”, portanto falar do espetáculo sobre
outro ponto de vista invalida a minha discussão. Digo, por isso,
que não se trata apenas da mistura da cultura baiana com o carnaval
tradicional. O que eu falo no artigo é que essa mistura foi tomada
e transformada pela sociedade do espetáculo, onde prevalece a
imagem e a mídia. Não pretendo criticar os ritmos baianos
e muito menos os trios elétricos.
- Quanto a “criar
imagens douradas do passado”, também não me refiro
ao carnaval de antes como algo ideal, onde não havia segregação.
Acho uma pena que isso não tenha ficado claro no meu texto. Quando
me refiro aos antigos blocos sujos, é para deixar claro que antes,
pelo menos no espaço público da rua, não existiam
barreiras físicas que separassem os grupos sociais, por mais
que a segregação acontecesse sob outras formas. A minha
discussão passa pela questão que você mesmo colocou:
“Carnaval dos clubes e salões existiu durante muito tempo,
e os camarotes atuais podem ser lidos como o refluxo da maré,
o retorno da lógica dos salões, em tempos internéticos”,
ou seja é clara a privatização do espaço
público e da festa.
- Minha ultima colocação
é sobre o PEC. A iniciativa de escrever esse artigo surgiu exatamente
a partir de um trabalho: “O Planejamento do Carnaval em Salvador”
feito por mim e mais três colegas da disciplina Teorias Urbanísticas
do mestrado da UFBA. Para desenvolvê-lo nós estudamos o
PEC e tivemos o prazer de entrevistar o professor Manuel José.
Conversamos também com representantes da Secretaria de Turismo,
responsáveis pela organização do carnaval de Salvador.
E a partir daí, ficou realmente claro a complexidade desse carnaval,
no qual existem projetos e planos para organizar uma festa que tinha
como premissa o improviso e a surpresa, onde a principal intenção
era simplesmente se festejar.
Portanto, espero com
isso ter esclarecido alguns pontos pertinentes ao seus comentários.
Um abraço e
boa sorte no mestrado
[Letícia Tabachi
é autora do artigo que origina este fórum de debates]
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