| De:
Flávio Kiefer
Data: Sunday, May 13, 2007 11:24 PM
Assunto: Flávio Kiefer responde aos comentários
Caros Euclides, Marcelo e
Rualdo
Parece que, por enquanto, em
um ponto estamos todos de acordo: tem alguma coisa na cidade que não
queremos perder. Que coisa é essa? Como se pode guardar alguma
coisa de uma cidade que perdeu sua principal função histórica
(guardiã de valores materiais e imateriais)? Essa é a
grande questão!
Esconder que a noção
de território está progressivamente substituindo a de
cidade não ajuda nada. Aquilo que ainda chamamos de cidade é,
na verdade, cada vez mais uma construção mental, de grupo
ou individual, dependente, certamente, das condições de
vida, classe social, poder aquisitivo e outros. Cada um vive na sua
"cidade", que é formada por partes, próximas
ou não, de um território global. A amplitude dessa cidade
mentalizada depende do uso de auto-pistas, trens, aviões e dos
meios digitais de comunicação. Os paulistas usavam a significativa
expressão "ir à cidade" no lugar da "ir
ao centro". Quantos paulistas nunca foram à cidade? E precisam?
Claro, todos nós podemos
dizer em que cidade nascemos, amamos, etc., etc. Carregamos ainda, nos
documentos e dentro de nós (não por muito tempo), a cidade
histórica. Vamos preservá-la? Ok, então vamos ver
no que ela é tão importante para nós, o que nela
não pode morrer. Descobrindo esses valores, teremos que protegê-los,
porque fogem da lógica da reprodução do capital
e dos meios de produção e consumo que dominam a vida contemporânea.
O quadro brasileiro nesse campo
é terrível. Existem alguns esforços nesse sentido,
mas é preciso reforços!
Abraços
[Flávio Kiefer
é autor do artigo que origina este fórum de debates]
|