De: Phrygia Arruda
Data: Monday, October 01, 2007 12:23 AM
Assunto: Resposta a Rodrigo Azevedo

Prezado Rodrigo Azevedo,

Concordo quando você diz que "...proteger uma paisagem sem no entanto congelar as transformações inerentes ao seu desenvolvimento econômico, cultural, social, etc? Considerando, é claro, que transformações trazem benefícios e mazelas e são fundamentais para o aprimoramento da crítica e da ação futura".

Contudo, estou falando de outro lugar - patrimônio cultural intangível, que é o que estou estudando, e assim, incluindo a paisagem como um patrimônio cultural imaterial, classificando-a, para fins de inventário como "lugares" (mercados, feiras, santuários, praças e demais espaços onde se concentram e reproduzem práticas culturais coletivas"(uma praia). Então o instrumento que deve ser utilizado neste caso da paisagem não é o tombamento e sim o INRC(Inventário Nacional de Referências Culturais); inventário, como você sabe, é o modo pelo qual se procede um mapeamento das referências culturais de uma determinada região, e estou pretedendo indicar a Praia de Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro, como um patrimônio imaterial, por pertencer a um lugar mítico no imaginário de uma coletividade.

Acho que não estou respondendo a sua pergunta, porque não deixei claro esta minha intenção no texto, mas meu verdadeiro interesse é trabalhar com o patrimônio imaterial.

Sei que a questão do patrimônio imaterial resulta num novo contexto político que vem buscando legitimar e promover a inclusão dos segmentos sociais não-dominantes nas representações oficiais da nação; e considerar a paisagem (da praia de copacabana) um patrimônio cultural imaterial é uma questão passível de discussão, mas estou buscando instrumentos metodológicos que forneçam materiais que justifiquem esta minha idéia.

Abraços, e obrigada por sua amáveis palavras.

[Phrygia Arruda, psicóloga, é autora do artigo que origina este fórum de debates]