De: Frederico Flósculo Pinheiro Barreto
Data: Thursday, September 13, 2007 1:48 PM
Assunto: Excelente Relato de José Eduardo de Assis Lefèvre

Amigos de Vitruvius: esse relato tem várias qualidades, a começar de sua honestidade, dessa decisão tão óbvia e simples de "prestar contas". Surpreende, absolutamente.

Em tempos de Renan Calheiros, de José Dirceu, de Lula ("Eu Não Sabia de Nada") da Silva, de José Sarney, de tantas lideranças opacas, ver uma prestação de contas relacionada a um episódio de gestão pública chega a ser comovente – mesmo que discordemos de cada linha. Está escrito, e agora pode ser apreciado, algo há a aprender e a debater. Quem concorda com o relato? Quem discorda dele? Há muito a aprender com este singelo relatório, que se destaca na época em que aparece. Honestamente, a atual geração de arquitetos (me refiro a todos os vivos-no-momento que dizem praticar a arquitetura), não é dada a prestar contas de coisa nenhuma.

Vivemos, por outro lado, a fazer a contabilidade de um passado fantasiado de alegoria de glórias modernistas. Nossas entidades profissionais nos dão um show de alienação e cooptação, de auto-elogio, de auto-consumação. Paisagem ética desoladora.

Que todos os que representam essa nossa profissão nas Prefeituras, nos órgãos públicos, nos grandes Conselhos dessa urbanidade de labirinto, prestem contas de suas atividades e compreensões advindas desse privilegiado ponto de vista da gestão pública, formal.

Talvez aprendamos algo acerca do mundo real em que as pessoas esperam a atuação dos arquitetos.

Congratulações ao autor, arquiteto José Eduardo de Assis Lefèvre.

[Frederico Flósculo Pinheiro Barreto, arquiteto, Brasília DF]