| De:
Maíra Campos
Data: Saturday, November 03, 2007 4:19 PM
Assunto: Resposta a Sylvio de Podestà
Olá, Sylvio!
É um prazer poder conversar
com você sobre Aracaju.
Temos de fato uma paisagem
agraciada pela beleza do Rio Sergipe, da praia de Atalaia e dos mangues.
A Av. Beira Mar, como citou, na realidade beira o rio, ligando a cidade
a pontos extremos: da praia, zona sul, ao centro histórico e
comercial, zona norte. Desconheço a origem desse problema de
nomenclatura, que também ocorre com a Ponte do Imperador, na
verdade um píer, como bem disse, que foi construída para
receber D. Pedro II e sua comitiva, em 1860, quando Aracaju tinha apenas
cinco anos.
Outro dia apresentava a cidade
a um amigo do sudeste que apreciava a beleza dos nossos mangues, inclusive
por margearem os rios. Ele estava impressionado, pois em São
Paulo não é raro ver um rio com suas margens de concreto.
O que ele não sabe é que o aracajuano já viu tantas
vezes o mangue ser praticamente derrotado pela iniciativa das grandes
construtoras e pela "fragilidade" das leis. O bairro que queria
ser Jardins e cresceu em função do Shopping de mesmo nome,
é um exemplo disso, optou por plantar fícus em vez de
tirar proveito da vegetação nativa: o mangue. Aí
sobrou uma fatia mínima batizada de Reserva do Tramandaí.
O mangue quase morreu, a iniciativa privada provavelmente quase festejou.
Eu comemoro as iniciativas
recentes da Prefeitura de implantar ciclovias interligando diversos
bairros. Num ciclo de palestras realizado durante a Semana do Trânsito,
ouvi bastante o discurso da preocupação ecológica
e da implementação dos transportes coletivos. As ruas
por aqui não são tão largas, nem mesmo as mais
recentes e acho que este não é o lema: "alargar para
mais carros passarem". Só lamento ainda pelas calçadas,
até as novas são estreitas e com graves problemas de acessibilidade.
Nossa legislação
também tem graves problemas, o Código de Obras vigente
é o mesmo há mais de 40 anos, acredito que anterior à
própria fundação do Distrito Industrial. Faz a
lei ao lado do Plano Diretor, que preconiza o crescimento da cidade
na direção sul, próximo às praias, e peca
ao considerar como área de preservação apenas as
dunas com altura superior a 10m. Imagine que assim corremos o risco
de não sobrar nenhuma!
Filtro solar já se tornou
acessório indispensável, ainda mais numa cidade com poucas
áreas sombreadas. Mendigos, flanelinhas e meninos de rua, mesmo
numa capital com cerca de 500 mil habitantes, é cena comum. Esgotos
sendo despejados em redes de drenagem, levando poluição
para os rios, não deveriam acontecer. Como vê, Aracaju
já carrega os males de uma cidade grande.
É Sylvio, e o que viu
aqui – rodoviária, shopping e tantos outros edifícios
– certamente não representa o contexto da nossa arquitetura.
Felizmente, tudo indica que esta página está sendo escrita
pelas escolas de arquitetura recentemente implantadas e acredito que
em breve teremos mais o que conversar, quem sabe em sua próxima
visita...
Obrigada pelo incentivo e comentários.
Abraço,
Maíra
[Maíra Campos,
Aracaju SE] |