De: Wellington Cançado
Data:
Monday, April 16, 2001 10:21 PM
Assunto: Respondendo a Marcelo Novelli

Caro Marcelo, você tem razão. O Elevado está bem mais próximo dos edifícios em seu entorno que na Linha Verde (e estes também são mais altos que em Belo Horizonte). Mas se isso parece dificultar a transformação desses espaços em lugares "ensolarados" ou em jardins, creio que essa condição de "espremido" propicia pensarmos essas estruturas como possíveis "marquises" em escala pedestre e cobrindo um calçadão contínuo bastante habitável (através de uma plausível restruturação da malha viária sob e paralelamente ao elevado).

É curioso pensar que alguns dos espaços mais importantes civicamente de São Paulo, o vão MASP e a marquise do Ibirapuera, são estruturas muito similares a viadutos. Obviamente, o contexto em que estão inseridas e como se relacionam com estes potencializando-os e resignificando-os é determinante.

Uma vez que o modelo de mobilidade das nossas cidades parece cada vez mais se afastar de qualquer solução coletiva, ecológica e sensata (como os tram-via europeus por ex.), fazendo com que cada vez mais viadutos sejam necessários (a prefeitura de Belo Horizonte já anunciou mais 6 viadutos e 2 novas trincheiras para esse ano), seria no mínimo de bom-senso explorar essas "patologias inevitáveis" como laboratórios de urbanidade no nível da rua.
Afinal, com tamanha carência de espaços públicos, porque não imaginar um viaduto como uma intervenção "benigna" e uma marquise urbana sensacional ao invés condenar toda vizinhança aos sombrios não-lugares?

De toda, forma ao discutir alternativas para o Elevado, me parece que São Paulo está pelo menos 30 anos a frente da capital mineira que ainda tem como modelo de "progresso" a construção de uma modernidade anacrônica, autoritária e sem imaginação...
Muito obrigado por seu comentário.

[Wellington Cançado é o autor do artigo original deste fórum de debates]