| De:
Wellington Cançado
Data: Thursday, February 07, 2008 3:38 PM
Assunto: Resposta a Sylvio de Podestá, Sérgio Palhares
e Rogério Braga de Assunção
Oi Rogério, Sergio
e Sylvio, me desculpem a demora a retornar os comentários.
Achei melhor responder a todos
juntos, já que me parece que de alguma forma estão tratando
da mesma questão…
O que realmente acho relevante
discutir é, quais são os paradigmas que conformam e quais
são os agentes que dão sustentação a esse
modelo de cidade que habitamos e porque estes continuam a prevalecer
durante décadas apesar das significativas mudanças sociais,
ecológicas, culturais, etc que vivemos.
Não reivindico portanto,
boa vontade de políticos, empreiteiros e nem mesmo clientes comuns
diante de arquitetos cheios de boas idéias (algo que desconfio).
Não seria suficientemente ingênuo ou nem corporativista.
Entretanto, não tenho
dúvida que a mesma modernidade que perpetua uma cidade “moderna
sem modernismos” completamente anacrônica (abstrata, setorizada,
predatória, autoritária, etc), e que possibilita os tais
“dividendos políticos” através de desenvolvimentismos
requentados, expõe o arquiteto como um profissional completamente
irrelevante (já que alheio aos processos de decisão e
principalmente de produção do espaço cotidiano).
A arquitetura é uma
prática essencialmente reativa, sem agenda ou programa próprios,
o que inclusive, facilmente a leva a ser reacionária. Se estamos
sempre resolvendo os “problemas” dos que inventam os “falsos
problemas” (parafraseando o Sergio), estamos simplesmente e orgulhosamente
dando “forma” a programas que nos são alheios. Mas
como já deveríamos ter percebido há décadas,
não cabe (e talvez nunca tenha cabido) aos arquitetos dar forma
ao “programa” da cidade contemporânea.
E a menos que sejamos capazes atuar como "produtores do espaço"
e de articular programas próprios a partir de problemas reais
e que sejam relevantes para os habitantes das cidades atuais, continuaremos
como “prisioneiros voluntários” da tarefa que nos
cabe até então: criar a fina casca efêmera que enfeita
a audácia da concretude infra-estrutural.
Abraços e obrigado
pelos comentários.
PS: Para falar de Barcelona
(essa marca tão admirada globalmente, mas tão combatida
localmente), e apesar de morar a uma quadra das Ramblas que você
menciona Rogério, não acho mesmo que este seja um tipo
de espaço público “bem sucedido” naquilo que
meu texto parece reivindicar: espaço público como extensão
do entorno e dos hábitos de seus moradores. Mas talvez para os
cardumes de turistas...
[Wellington Cançado
é o autor do artigo original deste fórum de debates]
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