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Aldo Paviani Agradeço a Euclides Oliveira o comentário ao meu artigo Brasília – 48 anos… Na realidade, o generoso comentário reforça a idéia exposta ao final do artigo sobre a aspiração por uma Capital e por cidades mais justas, mais igualitárias. Assim, concordo e assinaria em baixo sobre seus pertinentes pontos levantados. Agora mesmo, a mídia exalta os próximos passos das incorporadoras imobiliárias, devidamente representadas na vice-governança do governo local. Novos empreendimentos para a classe média alta e nenhuma providência para a habitação popular. Com isso, repito algo bem sublinhado nas diferentes obras da Coleção Brasília (1) da UnB: os ufanistas da Capital soltam foguetes para as iniciativas de novas bairros, festejando os empregos e os negócios imobiliários, que trazem “progresso para Brasília”. Enquanto os críticos avaliam que não se trata de progresso algum e sim acumulação facilitada e sem freios aos capitais investidos. Igualmente, os críticos voltam na história para avaliar o equívoco dos fundadores, modelando um imaginário Plano Piloto de Brasília (2) livre de favelas. Por isso, admitiram cidades-satélites antes mesmo de inaugurado o Plano Piloto, iniciando com Taguatinga, em 1958. Para esse assentamento foram transferidos “ex abrupto” os trabalhadores residentes de acampamentos e os pobres. Tudo com a concordância dos ilustres utopistas, pois devem ter sopesado os ditames de JK para ter um centro diverso do das demais cidades brasileiras. Os utopistas também concordaram em abrir espaço, nos primórdios da capital, para a classes abastadas – nos Lago Norte e Sul. Ao mesmo tempo, designaram terras para “assentamentos semi-urbanizados” em diversos pontos do Distrito Federal. Com isso implantaram o modelo polinucleado de povoamento, que nada mais foi do que a centrifugação dos assalariados e a consagração dos benefícios às construtoras e agentes imobiliários a que me refiro no artigo. Ademais, reproduzo abaixo entrevista dada à Rádio Nacional dois dias após termos comemorado os 48 anos de Brasília. Apesar de meus comentários críticos, a reportagem segue salientando que “Brasília lidera o ranking das cidades com melhor qualidade de vida no país”, citando a FGV. Embora tenha contestado essa afirmação, a reportagem prossegue dando loas aos níveis de satisfação da população, levantados pela FGV. – Aqui, deve ser salientada que esse nível de satisfação deve ser apenas dos moradores do Plano Piloto de Brasília, pois a população das cidades-satélites não deve ter sido incluída no referido trabalho. Se incluída, garanto, o ranking seria bem diverso, ante as carências e pobreza existentes nesses núcleos ancilares do centro da capital. Veja, abaixo, a reprodução da entrevista referida:
Assim, Euclides, tem toda a razão em comentar criticamente nossa realidade (urbana, política, econômica, etc.). De minha parte continuo almejando a chegada do dia em que nossas cidades se apresentem menos excludentes e que seus habitantes se sintam abrigados na igualdade recomendada pela Carta Magna. Com certeza, um longo caminho pela frente… Notas 1 2 3 [Aldo Paviani é
autor do artigo que origina este fórum de debates] |
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