De: Euclides Oliveira
Data: Segunda-feira, 16 de junho de 2008 23:23
Assunto: Cidade da Cultura da Galícia

Cara Michelle, este "costume" de várias municipalidades abastadas dos países centrais do capitalismo contratarem arquitetos do "star-system" global para projetarem edifícios impactantes e muitas vezes supérfluos para os seus cidadãos tem sido discutido aqui no Vitrúvius ultimamente, como você deve ter acompanhado. Para "botar lenha na fogueira" vou relembrar uma entrevista que o Peter Eisenman deu há alguns anos atraz, se não me engano para a revista Domus.

Nela ele conta que foi chamado ao Japão pelo presidente de uma grande corporação local para ser convidado a fazer o projeto da sede da empresa. Na primeira entrevista que teve com o presidente, este disse-lhe que a única exigência que fazia quanto ao novo edifício era que ele tivesse "cover".

- Naturalmente que o seu edifício será coberto, como todos o são - respondeu-lhe Eisenman
- No, no, I mean this cover - retrucou o presidente, sacudindo na mão uma capa de revista.

Esta estorinha exemplar, narrada pelo próprio Eisenman, mostra o que normalmente esperam os clientes quando convocam arquitetos "globais".

Cordialmente,

[Euclides Oliveira, arquiteto, São Paulo SP]