De: Euclides de Oliveira
Data: Wednesday, July 02, 2008 4:37 PM
Assunto: Brasília - caos urbano no DF

Caro Aldo, li com atenção o seu artigo e concordo com as soluções que você propõe para a melhoria do trânsito em Brasília; na verdade acho que o transporte individual é um dos maiores responsáveis pela baixa qualidade atual da vida urbana e que a única saída viável no caso é o desenvolvimento de um transporte coletivo eficiente e confiável. O automóvel emporcalha tanto nossas cidades que fica até chato convencer o cidadão a não jogar papel na calçada, não pisar na grama, separar o lixo, etc.

Em minha opinião, na medida em que se melhore e modernize o transporte coletivo, o Estado deveria dificultar propositalmente o uso do veículo particular; cito abaixo algumas medidas cabíveis:

  • Afunilar ruas e avenidas permitindo o estacionamento em ambos os lados das pistas; estas faixas deveriam ser pavimentadas com paralelepípedos ou pisos articulados de concreto, diminuindo assim a “impermeabilização” do solo e aumentando a segurança do pedestre nas calçadas, principalmente a das crianças (aliás, pisos permeáveis poderiam ser mais utilizados em nossas ruas, pois além de absorverem parte da água das chuvas, têm a vantagem de diminuírem a velocidade do tráfego urbano). Em casos especiais este estreitamento poderia ser feito com blocos de concreto, causando “engarrafamentos” artificiais que levariam os automobilistas a pensarem duas vezes antes de dispensarem o transporte coletivo.
  • Prever vias exclusivas para coletivos, quando for o caso.
  • Deixar de exigir vagas para estacionamento nos locais de trabalho e comércio, estimulando assim o uso do transporte coletivo e ainda livrando os espaços pré-arquitetônicos do amontoado habitual de automóveis.
  • Prever pelo zoneamento (fora da área tombada, é claro) a mistura das funções urbanas (habitação, serviços, comércio, etc.) dentro das unidades de vizinhança, de forma a permitir que aquelas possam ser acessadas a pé ou de bicicleta.
  • Cobrança de pedágio para veículos particulares nas áreas centrais mais congestionadas.
  • Investir no mobiliário urbano ligado ao transporte coletivo; abrigos de espera adequados e funcionais, inclusive comportando o embarque e desembarque de idosos e deficientes físicos, terminais de ônibus qualificados, pontos de táxi adequados e bem distribuídos, etc..

Um abraço

[Euclides Oliveira, arquiteto, São Paulo SP]