| De:
Sergio Jatobá
Data: Tuesday, July 15, 2008 9:44 PM
Assunto: Comentários
de Sérgio Jatobá ao texto de Aldo Paviani
Prof Aldo,
Muito oportuno o seu texto no momento em que o caos no trânsito
agrega-se a outros graves problemas urbanos como habitação,
saneamento, desastres ambientais, poluição e violência
na lista das questões que mais tem provocado depreciação
da qualidade de vida nas cidades brasileiras. Boas propostas para minorar
o problema existem, mas prevalecem as soluções de engenharia
de tráfego para melhorar a mobilidade automotiva que acabam por
incentivar mais ainda o uso do automóvel. Medidas para incentivar
o uso do transporte coletivo tem pouca eficiência diante da sua
má qualidade progressiva. Propostas para reduzir a presença
de caros nas áreas centrais, como a cobrança de pedágio
e rodízio são impopulares e os governantes temem adotá-las
por saberem que a cidade não oferece uma alternativa que motive
o usuário a deixar seu carro na garagem. Metrô e mesmo
alternativas de metrô leve são caras e de implantação
demorada.
Enfim, a questão é complexa, exige investimentos a longo
prazo e desafia até mesmo um bom planejamento urbano. Curitiba,
que ainda detém o melhor sistema de transporte público
no país, tem assistido a eficiência deste sistema sistema
decair ano a ano. Em texto enviado a Vitruvius para publicação
na Seção Minha Cidade mostro, com alguns dados,
que mesmo com um bom sistema integrador e canaletas exclusivas para
os famosos ônibus ligeirinhos e biarticulados, a velocidade média
do transporte coletivo em Curitiba baixou de uma média 21 km/h
na década de 1980 para 17 km/h atualmente. O aumento do número
de cruzamentos e a lentidão geral no trânsito vão
destruindo aos poucos a eficiência do sistema que, nas horas de
pico, apresenta problemas de saturação, desconforto e
atrasos semelhantes aos que ocorrem no sistema convencional, comum a
maior parte das cidades brasileiras. Com o transporte coletivo ficando
pior e a maior facilidade para aquisição de veículos,
mais usuários o substituem pelo transporte particular, gerando
um círculo vicioso, pernicioso para o sistema de transporte e
circulação urbana. Brasília, certamente, apresenta
esta mesma contradição, mas ao contrário de Curitiba,
tem um dos transportes públicos mais caros e ineficientes do
país.
Quanto à fiscalização de trânsito vemos duas
situações (que podem ser reproduzidas para o resto das
cidades brasileiras) com resultados opostos: a “indústria
de multas” dos pardais que tem finalidade mais arrecadadora do
que educativa e a fiscalização rigorosa da “lei
seca”, que tem produzido reduções drásticas
dos acidentes de trânsito e vítimas.
[Sérgio Jatobá,
arquiteto e urbanista, Curitiba PR] |