| De:
Archimedes Raia Junior
Data: Friday, July 18, 2008 2:52 PM
Assunto: Comentários
ao texto de Aldo Paviani
Prezado Prof. Aldo Paviani,
Gostaria, inicialmente, de
parabenizá-lo pelo excelente artigo. Penso que quando Lucio Costa
pensou e projetou Brasília, estava longe de imaginar uma situação
como a atual. Infelizmente, o Brasil não tem aprendido com as
experiências, negativas e positivas, de outros países.
Wilfred Owen relatava, no início da década de 1970, toda
a problemática americana, derivada pela escolha do modo automóvel
como referência para a mobilidade americana. Nada disso serviu
para nós, brasileiros que, passados quase 40 anos, ainda insistimos
no equívoco. Los Angeles, considerada a capital do automóvel,
com mais de 1 veículo por habitante, percebendo o imbróglio,
passou a investir no transporte coletivo de qualidade. Há que
se falar, também, da ação emblemática do
prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, que na sua gestão
modificou a cidade, a partir da construção do Transmilênio.
Não se pode esquecer, também, do prefeito M.B. Lee, de
Seul, que transformou uma grande avenida urbana, a Cheonggyecheon, em
um corredor de transporte coletivo e um parque linear. Para todos esses
políticos e administradores, não faltaram vontade política.
No Brasil, temos bons planejadores e até bons projetos. O que
falta é vontade política. Os políticos estão
acabando com nossas cidades, onde quase todos moram. Acabo de ler na
mídia que o BNDES aprovou financiamento de R$ 78 milhões
para a Ford Motor Company Brasil . O recurso faz parte do novo programa
de apoio à engenharia automotiva, criado em maio deste ano pelo
banco de fomento. O valor destinado a todo o setor é de R$ 1
bilhão, a ser aplicado até dezembro de 2008. Que cidade
sobreviverá a a tanto apoio público ao transporte motorizado
individual? Abraços e parabéns, mais uma vez, pelo artigo.
[Prof. Archimedes
A. Raia Junior, Coordenador do Programa de Pós-Graduação
em Engenharia Urbana, Universidade Federal de São Carlos, São
Carlos SP] |