| De:
Roberto Moita
Data: Monday, August 18, 2008 12:05 PM
Assunto: O hotel e a orla
Colega Rossana Honorato,
A Orla de João
Pessoa , que tanto já rendeu debates, tem em seu artigo um fio
da História desta bela cidade ,que, merece ser puxado. Lendo
seu texto muitas vivências, imagens, cheiros e sensações
me ocorreram, desde quando estudando Arquitetura em João Pessoa,
morei próximo ao Hotel e conviví com este entorno boêmio
de bar em bar nas noites quentes, ou quando , tomando sol faziamos longas
caminhadas de Tambaú para Manaíra e passavamos na maré
baixa entre o Hotel e o Mar. A
imagem deste edifício que se insere esparramado na silhueta da
orla de Tambaú em forma de um tronco-cone baixo que de longe
"desaparece" e que de perto causa em alguns angulos algum
estranhamento marcou minha passagem por esta cidade.
Misto de nave de concreto,
uma espécie de Fortim dedicado à hospedagem ou elevação
do solo verde, dependendo de onde é visto o "Tambaú"
é um objeto complexo, ousado. Dessas
agradáveis memórias surgiram questões em minha
mente que partilho com o intuito de instigar a veia investigativa que
sei que te anima. Seria nosso colega o "Arquiteto Fantasma"
da norma constitucional que protegeu a orla para nós todos? Qual
foi de fato sua participação direta na decisão
governamental de editá-la? Seria a força e a importância
que essa obra assumiu naquele momento - o ousadíssimo Hotel Tambaú,
cartão postal da cidade e ícone da propaganda governamental
- que teria sugerido que o governo providenciasse uma norma de proteção
para esse importante monumento ao turismo estadual?
Assim como você,
eu na condição de curioso estudante, também estive
naquela memorável visita ao Espaço Cultural com Sergio
Bernardes de guia. Daquela visita pudemos perceber os fortes argumentos
com que o talentoso colega procurava nos convencer da verdadeira revolução
que este edifício realizaria no entorno promovendo a implantação
de cafés, restaurantes galerias de arte e outras atividades!
Teria essa mesma força
de argumentação sido aplicada para convencer os governantes
sobre a necessidade de preservar o Hotel da possibilidade de muralhas
de prédios altos que lhe tirariam a importancia e a onipresença?
Essa seria uma
hipótese rara em que um prédio moderno já nasceria
protegido, elevado à categoria de bem da cultura da cidade?
Parabéns pela reflexão e beijos,
Roberto Moita, seu amigo de Manaus e também arquiteto
[Roberto Moita, arquiteto,
Manaus AM]
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