| De:
Alexandre
Pedrozo
Data: Monday, August 25, 2008 4:50 PM
Assunto: Debatendo o artigo "Curitiba 2008: até que ponto
um bom planejamento urbano sobrevive?"
Parabenizo
o autor pela intenção de compreender a problemática
urbana, ressaltando os sucessos do planejamento urbano em Curitiba.
No entanto sugiro compreender o conjunto de cidades limítrofes
a Curitiba em sua totalidade – um fenômeno urbano complexo
– onde cada cidade constitui mutuamente a metrópole. O
crescimento acelerado dos municípios vizinhos é também
resultado das ações concretamente realizadas na capital
paranaense. Como fenômeno único, os investimentos e as
regras que historicamente transformaram a capital, valorizaram e impediram,
devido aos altos preços dos imóveis, uma produção
formal e ordenada em todo o espaço metropolitano. Mesmo Curitiba,
com mais de 200 favelas não escapou da perversidade deste modo
de produção espacial.
Sobre os acertos,
comparativamente a outras cidades, realmente as linhas de transporte
estruturantes e sua combinação com uso do solo e sistema
viário, controlados por uma estrutura inteligente de regramento
e aprovação de edificações (ippuc + sec.
urbanismo), são evidencias de acertos. Ainda assim, na historia
do planejamento moderno de Curitiba o carro é soberano nos processos
de urbanização, regularização, parcelamentos
e intervenções de desenho urbano. A última grande
inovação em desenho para humanos sem rodas em Curitiba
foi o fechamento da rua xv.
Penso que existe maior
preocupação em linhas estruturantes e desenho viário
agradável do que o acesso das pessoas aos imóveis em terra
urbanizada e bairros qualificados.
Desta lição
histórica, podemos problematizar ainda mais sua questão.
Até que ponto este planejamento foi realmente bom? Atendeu a
quais interesses e solucionou quais questões da vida urbana.
O transito, o transporte, a moradia, o trabalho, etc... até que
ponto?
Discordo que “talvez
o problema que mais atormenta moradores e planejadores urbanos atualmente
seja o caos no trânsito das cidades brasileiras, especialmente
nas regiões metropolitanas”. O que mais atormenta os planejadores
é o projeto de futuro de cidades que está sendo disputado
(Segundo TORRES, planejar significa disputar futuros). Se as pessoas
morassem mais próximas das oportunidades de trabalho, por exemplo,
não precisariam tanto do automóvel (se tivessem condições
materiais suficientes ou se os imóveis fossem mais baratos.).
Se o transporte coletivo metropolitano, que se conecta, em parte, ao
sistema curitibano, experimentasse algumas novidades e voltasse a atrair
usuários, talvez diminuiria o interesse extremo da grande maioria
da população em ter qualquer veículo individual.
Talvez, a cultura nacional, que vincula status social ao modelo do carro,
contribua para isto. Talvez esta preocupação – a
do transito – seja principalmente a dos planejadores parados nos
engarrafamentos.
[Alexandre
Pedrozo]
|