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9, vol. 11, junho 2009, p. 260 São Petersburgo Rússia |
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Oktha
Centre Tower X Preservação: A Proposta de Construção de uma Torre de |
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Figura 1: Vista de um dos canais de São Petersburgo mostrando A Catedral da Ressurreição de Cristo construída entre 1883 e 1907 pelo arquiteto Alfred Parland. Fonte: Wikipédia; autor, Alyoshin |
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A cidade de São Petersburgo, fundada pelo Czar Pedro, o Grande, em Maio de 1703, foi a capital do Império Russo por mais de 200 anos (1712- 1918). O centro histórico da cidade, datado do Século 18, sobreviveu ao período da industrialização, às Guerras Mundiais, e ao comunismo. Hoje, é considerado um dos mais preservados do mundo, razão pela qual em 1990 foi incluído na lista do Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. A cidade abriga, dentre outros tesouros arquitetônicos, o Museu Hermitage, o Palácio de Menshikov, e a Coluna de Alexandre. É construída sobre mais de 100 ilhas, possuindo atualmente 342 pontes em diferentes estilos arquitetônicos e períodos. Devido aos canais que caracterizam a cidade, São Petersburgo é conhecida como a “Veneza do Norte” (Figuras 1 e 2). Atualmente, a cidade tem uma população de 4.6 milhões de habitantes e é a quarta maior cidade na Europa, só ficando atrás de Moscou, Londres e Paris. Em Dezembro
de Também, quando da aprovação do projeto, três arquitetos de renome internacional (Norman Foster, Rafael Vinoly e Kisho Kurokawa) que faziam parte do júri que tinha incumbência avaliar a proposta apresentada, decidiram deixar o comitê de seleção, pois não concordavam com a altura proposta para a torre principal. Acredita-se que eles estavam sendo pressionados para aprovar a proposta apresentada pela firma britânica RMJM. Em Abril de 2007, o jornal russo “Kommersant” publicou o resultado de uma pesquisa de opinião que indicou que 40.4% dos entrevistados eram contra a construção da torre, enquanto apenas 18.5% eram a favor. Os respondentes não foram contrários a revitalização da área do Vale de Ohkta; eles apenas se opuseram a idéia de modificar a paisagem da cidade marcada por prédios de altura mediana. Por fim,
a própria UNESCO se manifestou sobre o caso: o diretor do Centro de Patrimônios
Mundiais, Francesco Barandin¹, afirmou que “a Oktha Centre Tower
é uma intrusão visual a paisagem de São Petersburgo. É uma interferência
a paisagem história da cidade que é marcada por sua horizontalidade em
termos de altura dos prédios”. Em Agosto de A estatal
de energia Gazprom e a empresa responsável pelo projeto, “RMJM”,
em face das críticas apresentadas à sua proposta, defenderam-se afirmando
que a torre será a contribuição do Século 21 à paisagem da cidade; que
a área onde o prédio será construído está fora do centro histórico protegido
pela UNESCO; e que a torre não será vista por quem estiver no centro histórico.
Entretanto, do outro lado da margem do rio Neva, em frente ao local onde
será construída a torre, está localizada a Catedral de Smolny, projetada
pelo arquiteto Bartolomeo Rastrelli, datada de 1748, As simulações computacionais feitas pela firma responsável pelo projeto, publicadas no panfleto de divulgação denominado “O Impossível é Possível” ², não estão convencendo a população local e tão pouco a UNESCO. Analisando essas simulações, as quais podem ser encontradas na pag. 39 do panfleto, o impacto não parece ser tão desastroso como o descrito pela mídia (tais como pelo jornal local “The St. Petersburg Times”). Entretanto, como arquiteta e planejadora urbana sei que simulações computacionais podem distorcer a realidade de propostas arquitetônicas, a fim de conseguir o apoio da comunidade local. O vídeo da simulação da torre disponível no site da Gazprom³ é interessante mas ao mesmo tempo questionável já que apresenta o Okhta Centre Tower como um objeto de um filme de ficção científica sem nenhuma conectividade com a parte histórica da cidade. |
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Ressalta-se
que em matéria de inserção de novos prédios em altura em cidades históricas,
existem exemplos positivos, como é o caso de Londres, onde a arquitetura
antiga e contemporânea convivem de modo harmônico. A Catedral de São Paulo
(que em 2008 completa 300 anos desde sua conclusão) foi a construção mais
alta de Londres por muitos séculos, mas atualmente a paisagem londrina
é marcada por diversos prédios em altura tais como o “Gherkin”
( Nesse sentido,
considero positiva a proposta de revitalizar a área industrial do Vale
de Ohkta Por outro
lado, me oponho a altura de Entretanto,
apesar de toda a polêmica e das milhares de vozes contrárias à construção
da torre de As preocupações apontadas pela UNESCO em relação a altura da torre não podem ser ignoradas pela firma de arquitetura RMJM e pelo governo russo. Todos os países que assinam a Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural e que possuem bens na Lista do Patrimônio Mundial comprometem-se em conservar os bens do Patrimônio Mundial localizados em seu território e proteger o seu próprio patrimônio nacional. Na sociedade do Século 21, o valor da arquitetura contemporânea como uma inclusão harmoniosa em cidades históricas não pode ser substituído por interesses diversos, tais como o da criação de símbolos de poder e ostentação. Uma detalhada re-análise da altura da torre da Gazprom, considerando o seu impacto no centro histórico da cidade é a resposta que os arquitetos, os planejadores urbanos e a sociedade como um todo espera da Gazprom e das autoridades russas antes de qualquer início das obras. Os bens que fazem parte da Lista do Patrimônio Mundial são de interesse mundial, e não apenas do país em que se localizam. Colaboração Este artigo contou com a colaboração de Roberto Padilha Guimarães, Auditor do Trabalho e ex-professor de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Sites consultados www.independent.co.uk/news/europe/revolt-in-russia-765484.html |
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Professora
Adjunta da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal
de Pelotas, Brasil (2008). Pós-Doutora em Urbanismo pela Bartlett School
of Planning, University College London (UCL), Inglaterra (2007-2008).
Doutora |
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