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Novos
Estudos, nº 76, novembro 2006 – ISSN 0101-3300

Da
morte política à consagração – Fernando J. Cardim de Carvalho
Este artigo examina o processo eleitoral de 2006, que culminou na reeleição
do presidente Lula. Argumenta-se que o período foi marcado pelo voto de
advertência de eleitores insatisfeitos com o primeiro mandato e por erros
de estratégia do PSDB, a começar pela escolha do candidato. Sustenta-se
ainda que a falência ética do Partido dos Trabalhadores ensejou uma onda
de preconceito inédita na história política brasileira.
A democracia no Brasil – Fernando Limongi
Nada autoriza tratar o sistema político brasileiro como singular. Coalizões
obedecem e são regidas pelo princípio partidário. O presidente, que teve
seu poder institucional reforçado pela Constituição de 1988, detém monopólio
sobre iniciativa legislativa, o que aproxima o sistema brasileiro das
democracias parlamentaristas européias. Ainda que estruturada em torno
de questões empíricas, a discussão tangencia questões teóricas, como a
importância das escolhas institucionais e como estas afetam as relações
entre a maioria e a minoria em governos democráticos.
O lobby de Israel – John Mearsheimer e Stephen Walt
O cerne da política dos Estados Unidos no Oriente Médio deriva das atividades
do “Lobby de Israel”, que conseguiu desviá-la para longe do interesse
nacional e convencer os americanos de que os interesses dos Estados Unidos
e os de Israel são idênticos. O artigo sustenta que estratégias comuns
ou imperativos morais inarredáveis não são explicações suficientes para
explicar o notável nível de apoio material e diplomático fornecido pelos
Estados Unidos.
Com amigos assim, quem precisa de inimigos? – Peter Demant
Em resposta ao artigo “O Lobby de Israel”, sustenta-se que a proximidade
entre os EUA e Israel é cultivada pelo Lobby e não por ele criada. Defende-se
também que as conclusões de Mearsheimer e Walt são baseadas em pesquisa
descuidada, deturpações e lógica falsa, mas que ainda assim a tese central
é digna de debate.
Unificação desigual – Entrevista com Hauke Brunkhorst
A entrevista trata do processo de constituição da União Européia. O entrevistado
passa em revista a estrutura institucional e jurídica da Europa unificada
e a conjuntura política recente, considerando-se o crescimento da direita
no Parlamento Europeu e o impacto da recusa da constituição européia nos
referendos de 2005. Busca, ainda, construir um conceito operacional de
legitimação que permita avaliar o caráter democrático dos processos de
tomada de decisão política no âmbito transnacional.
Internet, espaço público e marketing político – Bernardo Sorj
A expectativa otimista a respeito do potencial democratizante das novas
tecnologias da comunicação expressa uma projeção especulativa que deve
ser confrontada com experiências concretas. O caso do referendo sobre
a comercialização de armas de fogo indica que o impacto da internet na
dinâmica política apresenta dimensões mais cinzentas, como o potencial
de destruição do espaço público.
A formação do Estado regulador – Paulo Todescan Lessa Mattos
Este artigo sustenta que as características da formação do Estado regulador
brasileiro, antes de se apresentarem relacionadas a disputas entre economistas
neoclássicos e economistas keynesianos, estariam vinculadas a disputas
entre interpretações do Brasil que tomam como foco de análise a dinâmica
política da relação entre Estado e sociedade.
Trabalho em transição – Nadya Araujo Guimarães
O texto compara três metrópoles (São Paulo, Paris e Tóquio) para apresentar
um achado de pesquisa: o de que variando os sistemas de emprego e os regimes
de proteção, variam os tipos de transições e trajetórias ocupacionais,
inclusive as formas assumidas pelo desemprego.
Autobiografia
e sujeito histórico indígena – Oscar Calavia Sáez
A autobiografia, gênero central na bibliografia escrita por ou sobre indígenas
nos Estados Unidos, está ausente na bibliografia equivalente no Brasil.
Este trabalho questiona as razões desse contraste, resumindo análises
sobre a peculiaridade cultural do gênero autobiográfico — profundamente
vinculado à formação do indivíduo ocidental —, sobre sua possível tradução
ameríndia e sobre as formas pelas quais o sujeito histórico indígena tem
sido construído no Brasil.
A
comédia no Romantismo brasileiro – Vilma Arêas
O artigo analisa a comédia produzida durante o romantismo brasileiro a
partir da obra de Martins Pena e Joaquim Manuel de Macedo. Sustenta-se
que Pena, num minucioso trabalho de incorporação de outros gêneros, inaugura
a comédia de costumes no país, ao passo que Macedo é visto sobretudo a
partir de sua contribuição para a renovação da linguagem teatral. A comédia
é aqui entendida à luz da instabilidade de suas relações de sentido e
do descompasso próprio do encontro entre formas artísticas forjadas na
Europa e o contexto político brasileiro.
O anão caolho – João Marcos Lopes
Este artigo pretende fornecer uma resposta à conferência “O vício da virtude”,
de Chico de Oliveira, publicada nesta revista na edição de março de 2006.
Contra o argumento de que o processo de autoconstrução não deve ser estimulado,
pois depende de trabalhadores desempregados e não contribui para a criação
de um mercado imobiliário, sustenta-se que o trabalhador que autoconstrói
é o proprietário de um imóvel disposto, se necessário, à circulação mercantil.
Nota sobre "O vício da virtude" – Sérgio Ferro
Este artigo dá seqüência às respostas à conferência “O vício da virtude:
autoconstrução e acumulação capitalista no Brasil”, de Chico de Oliveira,
publicada no número 74 desta revista. Argumenta-se que a disponibilidade
crescente de um exército de reserva de força de trabalho e a baixa substancial
do salário justifica a realização dos mutirões.
Ideologias da forma – Entrevista com Yve Alain-Bois
Reconhecido por reavivar a polêmica sobre o formalismo, o crítico e historiador
da arte Yve-Alain Bois discute nesta entrevista questões relativas à arte
contemporânea. O autor reflete sobre o contextualismo na crítica de arte,
tece considerações sobre as disputas no meio acadêmico, problematiza o
conceito de pós-moderno e relembra o convívio com a artista plástica brasileira
Lygia Clark.
Cultura POP – Sônia Salzstein
Este texto examina o debate artístico e cultural do último quartel do
século XX, quando o termo pop se viu presa de uma aguerrida batalha de
reconfigurações ideológicas, retomado ora como marco de uma nova e benfazeja
era da cultura, ora como desfecho da “arte histórica” que finalmente auspiciava
o advento da “Arte” como puro conceito. Discute o rescaldo contemporâneo
desse debate — no qual uma “questão pop” persiste em lugar de destaque
— e analisa especialmente a influência que sobre ele tiveram as correntes
do multiculturalismo.
Gestos efêmeros e obras tangíveis – Cynthia Canejo
Ainda que tributária do construtivismo brasileiro, a produção artística
de Antonio Manuel se manteve única e, muitas vezes, radical. Este artigo
examina as especificidades do trabalho do artista, principalmente a partir
de suas semelhanças e diferenças com os postulados do neoconcretismo.
Literatura na alcova – Elias Thomé Saliba
Crítica: Livros "Lições de Sade: ensaios sobre a imaginação libertina",
de Eliane Robert Moraes. São Paulo: Iluminuras, 2006.
Os desvios de Gilberto Freyre – César Braga-Pinto
Crítica: Livros "Gilberto Freyre: um vitoriano nos trópicos", de Maria
Lúcia Garcia Pallares-Burke. São Paulo: Ed. Unesp, 2005.
Capitulação e melancolia – Ricardo Lísias
Crítica: Livros "Joana a contragosto", de Marcelo Mirisola. Rio de Janeiro:
Record, 2005. "O azul do filho morto", de Marcelo Mirisola. São Paulo:
Editora 34, 2002.
Paraíso perdido – Joaquim Toledo Júnior
Crítica: Livros "Complô contra a América", de Philip Roth. São Paulo:
Companhia das Letras, 2005. "Everyman", de Philip Roth. Boston, Houghton-Mifflin
Co., 2006.
Números
disponíveis no Portal Vitruvius
Novos
Estudos, nº 78, julho 2007
Novos Estudos, nº 77, março 2007
Novos
Estudos, nº 76, novembro 2006
Novos
Estudos, nº 75, julho 2006
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