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Exposição “Pintura na margem da cidade”, de Mônica Nador

Museu da Casa Brasileira abre mostra “Pintura na margem da cidade” com intervenções urbanas de Mônica Nador

  Viela em Vila Clara
     

Intervenções do projeto Paredes Pinturas de Mônica Nador em favelas de São Paulo e México compõem a mostra “Pintura na margem da cidade”, que abre no dia 9 de junho no Museu da Casa Brasileira (MCB), instituição vinculada à Secretaria de Estado da Cultura, e realizada em parceria com o Centro Cultural da Espanha. São três módulos com fotos e DVDs dos trabalhos realizados na Vila Rhodia, em São José dos Campos; na favela São Remo, em São Paulo; no Jardim Santo André, em Santo André; e em Maclovio Rojas, em Tijuana, no México, como parte do projeto inSITE.

Num movimento de apropriação simbólica do espaço público, a artista plástica Mônica Nador, paulista de Ribeirão Preto, também descobriu os novos caminhos para sua arte. Ela confessa sempre ter tido vocação para “pintar a cidade”, já que navegou entre estudos de arquitetura e artes plásticas. “Empunho a bandeira da beleza pura, quero transformar os lugares feios”, diz Mônica Nador. “Procuro fazer o que chamo de arte útil”. As paredes da mostra serão pintadas pela artista com desenhos do repertório dos jovens que participam do Barracão Arte Clube no Jardim Santo André.

  Jardim Santo André
     

“Não se trata de apresentar aqui uma solução para os sérios problemas habitacionais da população brasileira, mas revelar uma ação que joga luz à margem da cidade formal, nas favelas, despertando através da arte a criatividade de seus habitantes para resgatar, de forma orgânica, sua dignidade”, diz Giancarlo Latorraca, diretor Técnico do MCB. “É um chamado de atenção à riqueza cultural dos cidadãos subtraídos de seu direito de morar com qualidade”.

A artista plástica Mônica Nador realizou sua primeira pintura mural em 1996, quando foi convidada por Tadeu Chiarelli, então diretor do Museu de Arte de Moderna (MAM–SP), para inaugurar o Projeto Paredes. Dois anos mais tarde, deu continuidade a seu trabalho com projetos para o Programa Comunidade Solidária, idealizado por Ruth Cardoso. A seguir, ganhou uma bolsa da Fundação Vitae que viabilizou a intervenção da Favela São Remo, em São Paulo. Em suas atividades de pós-graduação (ECA-USP) fez intervenções na Vila Rhodia, em São José dos Campos, em 2000. Na mesma época, iniciou sua participação no projeto inSITE, que a cada três anos reúne artistas na região da fronteira entre Estados Unidos e México.

  Casa do Sr. Maciel, Mônica Nador
     

O trabalho de Mônica Nador é realizado com base em desenhos feitos pelos próprios moradores, extraídos, tanto quanto possível, de seu repertório mais ancestral. A ação objetiva valorizar as pessoas e sua cultura, andando na contramão da informação de massa, bem como viabilizar um entorno menos hostil para as populações que habitam a periferia de grandes cidades.

A realização se dá, em primeiro lugar, com a apresentação da proposta para os moradores e a inscrição dos interessados. Em seguida, são realizados sessões de desenho, onde se procura eliminar piu-pius, mickey mouses e logomarcas. Em seguida, é realizada a transposição dos desenhos selecionados para confecção dos estênceis e se inicia a pintura das casas. Os desenhos e as cores são selecionados pelos próprios moradores.
Em Santo André, o trabalho foi feito através das ONGs Jardim Miriam Arte Clube (Jamac) e Ação Educativa, no Projeto Arte em Toda Parte, que integra as ações do programa São Paulo de Cara Nova, da Secretaria de Habitação e da CDHU – Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Governo do Estado de São Paulo.

  Jardim Santo André
     

O processo foi filmado pelo cineasta Carlos Jerônimo Vilhena de Toledo, que editou um documentário presente na mostra.

A ideia do projeto é despertar nos moradores um sentimento de pertencimento que fortaleça os laços de identidade e o tecido social das comunidades envolvidas. Incentiva, ainda, a formação de agentes multiplicadores deste trabalho dentro da comunidade, e, em um segundo momento, a criação de atividade geradora de renda baseada nos desenhos do grupo.

Data e horário
Abertura: 9 de junho, às 19h30
Visitação: de 10 de junho a 12 de julho, de terça a domingo, das 10h às 18h

Local
Museu da Casa Brasileira
Av. Faria Lima, 2705
Jardim Paulistano
São Paulo SP
Fone: 11 3032.3727
Website: www.mcb.sp.gov.br

Serviços
Ingresso: R$ 4,00 – Estudantes: R$ 2,00 – Domingos e feriados: gratuito
Classificação indicativa: livre
Acesso a portadores de deficiência física
Visitas orientadas: 3032-2564 / agendamentomcb@terra.com.br
Estacionamento: R$ 12,00 no dia da abertura; de terça a sábado até até 30 min. grátis, até 2 horas R$ 8,00; demais horas R$ 2,00. Domingo: preço único R$ 10,00.
Classificação indicativa: livre