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Mostra “A Casa Xinguana” na terceira edição projeto Casas do Brasil do MCB

Exposição de fotos de Milton Guran da habitação tradicional dos povos indígenas do Parque Nacional do Xingu e debate com Carlos Lemos, Milton Guran, Carlos Fausto e Mutua Mehinaku Kuikuro

  Casa Kamayurá em construção, Pq Xingu, 1978. Foto Milton Guran
     

A exposição “A Casa Xinguana”, que abre dia 26 de julho no Museu da Casa Brasileira, da Secretaria de Estado da Cultura, é composta de 46 painéis fotográficos em preto e branco de Milton Guran com o tema da habitação tradicional dos povos indígenas do Parque Nacional do Xingu: sua arquitetura, uso cotidiano, função social e dimensão simbólica. Haverá também uma representação virtual em animação eletrônica das etapas construtivas da casa xinguana, além de uma maquete para facilitar a compreensão dos aspectos técnicos desta solução arquitetônica.

Esta mostra, terceira edição do projeto Casas do Brasil do MCB, é patrocinada pela Kostal Eletromecânica, subsidiária de grupo alemão LK - Leopold Kostal. Realizadas pelo fotógrafo e antropólogo Milton Guran, que também é curador da mostra, as fotos foram feitas nos meses de julho e agosto de 1978. Elas mostram aspectos tradicionais da cultura xinguana começando a dialogar mais estreitamente com a cultura nacional. O texto que acompanha “A Casa Xinguana” é de Carlos Fausto, antropólogo do Museu Nacional (UFRJ), especialista nas culturas indígenas da Amazônia e trabalhando, no momento, entre os Kuikuro do Alto Xingu.

“A intenção do Projeto Casas do Brasil, implantado em 2006, é a criação de um inventário visual das diversas formas de morar no Brasil, reforçando o caráter do Museu da Casa Brasileira como centro de referência para questões relativas ao habitat e suas intersecções entre a arquitetura e o design”, afirma Giancarlo Latorraca, diretor Técnico do MCB. “Esta edição traz através do olhar de Milton Guran, a nossa casa - referência primordial, de técnica refinada e verdadeiramente integrada ao ambiente. Apresentamos aqui o relato de uma cultura não com exotismo e sim com a consciência do necessário reconhecimento e de sua fundamental contribuição na formação da diversidade brasileira.”

O Parque Nacional do Xingu, atualmente, abriga diversos povos indígenas de diferentes origens étnicas e falando idiomas das principais famílias lingüísticas da América do Sul. Nesta exposição, o foco são as aldeias Kamayurá e Kuikuro, paradigmáticas desta área cultural. Sempre tomando a casa como referência são capturadas as imagens de diversos rituais, como o Quarup, o Jogo do Jawari e um casamento, que ancoram um painel de imagens bastante abrangente, embora sucinto, sobre a vida cotidiana dentro e em torno da casa. Algumas imagens remontam há quase 30 anos, como é o caso da documentação de um casamento tradicional Kuikuro em torno do qual se constrói a exposição. Embora a cerimônia de casamento seja bastante freqüente, e continue a mesma que há 30 anos atrás, esta é a única documentação fotográfica conhecida do ritual completo.

  Aldeia Kamayurá. Foto Milton Guran
     

A mostra trata de forma ampla e despojada a questão da diversidade cultural, enfatizando o fato de que cada cultura tem uma forma específica de viver e de ocupar seu próprio espaço no mundo. Cada uma responde a aspectos importantes de compreensão do mundo e da organização social do seu respectivo grupo de indivíduos.

No Brasil se encontram as últimas fronteiras intocadas da diversidade humana representadas por diversos grupos indígenas da região amazônica, alguns poucos ainda isolados da sociedade nacional. Esses grupos fazem parte de um conjunto de cerca de 200 diferentes povos indígenas que, em diversos graus de integração com a sociedade nacional, participam ativamente do processo de construção da identidade brasileira como nação. Na mostra, esta diversidade cultural é vista e apresentada como um patrimônio maior do povo brasileiro.

Desde 1979, Milton Guran já realizou 27 exposições fotográficas sobre a temática indígena no país e no exterior. As mais recentes são Viva Yanomami, 2005, no Centre Intermondes, La Rochelle, França; Paresi, 2005, individual, no Museu do Índio, Rio de Janeiro; Todo dia é dia de índio, individual, 2003, no Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPr, Paranaguá; Pataxós do Sul da Bahia, individual, 2003, Museu do Índio, Rio de Janeiro; Amazônicas, 1998, coletiva, Instituto Cultural Itaú.

A Kostal Eletromecânica Ltda., com sede na Alemanha, está instalada em São Bernardo do Campo (SP) desde 1979 e na cidade de Cravinhos (SP) desde 2006. Nas duas unidades, são produzidos produtos para a indústria automotiva com grande ênfase em produtos eletromecânicos, eletrônicos e mecatrônicos.

  Casa Xinguana. Foto Milton Guran
     

Debate, 20/8, às 19h30, entrada gratuita, com Carlos Lemos, Milton Guran, Carlos Fausto e Mutua Mehinaku Kuikuro

Carlos Alberto Cerqueira Lemos é formado em arquitetura pela FAU/Mackenzie, atualmente é professor titular de pós-graduação no departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Desenvolveu atividades ligadas ao projeto de edifícios e de urbanizações, às artes plásticas e, sobretudo à docência e à pesquisa histórica. Dirigiu nos anos 50 o escritório paulistano do arquiteto Oscar Niemeyer, participou do projeto do Parque Ibirapuera.. É autor de diversos livros, tais como: Cozinhas etc. São Paulo, Editora Perspectiva, 1976; O que é arquitetura. São Paulo, Brasiliense, 1950; A Casa Paulista. São Paulo, EDUSP, 1999.

Milton Guran é fotógrafo e antropólogo, doutor em Antropologia (EHESS, França) e mestre em Comunicação Social (UnB). Foi fotógrafo do Museu do Índio (RJ), e atualmente é pesquisador associado do Laboratório de História Oral e Imagem da UFF. Autor de Agudás – os brasileiros do Benim (Ed. Nova Fronteira, 2000) e de Linguagem fotográfica e informação (Ed. Gama Filho, 2002). Ganhou o Prêmio VITAE (1990), o X Prêmio Marc Ferrez da FUNARTE (1998) e o Prêmio Pierre Verger da Associação Brasileira de Antropologia (Prêmio Especial do Júri - 2002). Coordenador-geral do FotoRio – Encontro Internacional de Fotografia do Rio de Janeiro.

Carlos Fausto é professor associado do Museu Nacional da UFRJ. Graduou-se em Ciências Sociais na USP e obteve seu mestrado e doutorado em Antropologia na UFRJ. Fundador da revista Mana: Estudos de Antropologia Social, é autor dos livros Inimigos Fiéis: história, guerra e xamanismo na Amazônia (EDUSP, 2001) e Os índios antes do Brasil (Editora Jorge Zahar, 2000), e organizador (juntamente com M. Heckenberger) de Time and Memory in Indigenous Amazonia (2007). Foi professor visitante na Universidade de Chicago e na EHESS (França). É pesquisador do CNPq e da FAPERJ e assessor da Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu.

Mutua Mehinaku Kuikuro é professor e presidente da Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu. Formou-se na primeira turma do Terceiro Grau Indígena da Universidade Estadual do Mato Grosso (2001-2006), com concentração em lingüística. Foi agraciado pelo Programa Internacional de Bolsas de Pós-Graduação da Fundação Ford - Instituto Carlos Chagas, devendo iniciar o mestrado em antropologia no Museu Nacional, UFRJ, em 2009. É membro do projeto Documenta Kuikuro (DKK), coordenado por Bruna Franchetto e Carlos Fausto.

  Luta Uka-uka na cerimônia do Quarup, Pq Xingu, 1978. Foto Milton Guran
     

Data e horário
Abertura: 26 de julho, das 11h às 13h, entrada gratuita
Debate: 20 de agosto, às 19h30
Visitação: até 14 de setembro, de terça a domingo, das 10h às 18h

Local
Museu da Casa Brasileira
Av. Faria Lima, 2705
Jardim Paulistano – São Paulo SP
Fone: 11 3032.3727
Website: www.mcb.sp.gov.br

Serviços
Ingresso: R$ 4,00 - Estudantes: R$ 2,00 Domingo gratuito
Acesso a portadores de deficiência física
Visitas monitoradas: 3032-2564 / agendamentomcb@terra.com.br
Estacionamento: R$ 10,00 no dia da abertura; de terça a sábado até 2 horas R$ 6,00; 3ª hora R$ 2,00; demais horas R$ 1,00 Domingo: preço único R$ 10,00; vagas limitadas

 
     
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