| Invenção,
vida e excelência
resenha mario sérgio pini
Com a reverência
de quem admira uma das mais expressivas obras de Arquitetura do
século XX e a inevitável informalidade que insiste em conduzir
um comentário de quem esteve profissionalmente próximo do autor,
atrevo-me a estas anotações sobre Joaquim Guedes, que estão de
certo modo ampliadas e aprofundadas no consistente livro de Mônica
Junqueira de Camargo e que as motivam.
Esse livro,
o primeiro sobre o arquiteto, é parte da coleção Espaço da Arte
Brasileira, coordenada por Rodrigo Naves. Trata-se de destacada
iniciativa da editora Cosac & Naify, que dessa forma constrói
um valioso painel de contribuições artísticas recentes.
Joaquim Guedes
é autor de uma obra particularíssima, toda ela feita de uma visão
de mundo e de um instigante método de trabalho que conduz cada
projeto a um campo de “inventividade própria”. Não parte de formulações
unitárias ou pré-concebidas, ou ainda da inércia da reprodução
de modelos. Cada trabalho se abre em perspectivas, tirando o máximo
de todos que dele participam, para encontrar uma saída diante
das imposições da realidade.
Seus projetos
são detalhados à exaustão. Não sei se é possível fazer Arquitetura
desvinculada do detalhe, mas hoje lamento esse divórcio ou a falta
desse conhecimento específico que acompanha muito do que se produz.
Dizia ele que o construtor através do detalhe, deveria surpreender,
compreendendo que todas as suas operações estão previamente pensadas
e racionalizadas.
Seus estudos para um projeto são representados por pequenos desenhos
de traços suaves que passam e repassam pelas mesmas linhas, antevendo
problemas, alguma solução e as tantas incertezas da própria vida.
Bem, acho
que é preciso conferir. Boa leitura!
Mario S. Pini
é arquiteto e urbanista.
© Resenha
publicada no Boletim 21 do IAB-SP, de janeiro/fevereiro de 2001.
Reprodução proibida. |