| Paisagens
de Niterói. A construção artística da cidade
antônio agenor de melo barbosa
Político
de muita fama e sucesso, Jorge Roberto Silveira foi Deputado Estadual,
Secretário de Estado nos anos 80, Prefeito de Niterói por três
mandatos e é filho do Ex-Governador Roberto Silveira. Como administrador
municipal tornou-se conhecido nacionalmente por suas exitosas
administrações na cidade de Niterói e também pelo fato de ter
sido candidato a Governador do Estado nas últimas eleições.
Tudo
isto para dizer que como político Jorge Roberto Silveira, certamente,
dispensa apresentações mais detalhadas, mas agora falaremos do
JRS escritor e jornalista que, para quem não sabe, foi o seu ofício
pioneiro deste a juventude.
Como
jornalista iniciou sua carreira no Jornal do
Brasil e depois no jornal niteroiense "O Fluminense",
onde era um conceituado crítico de cinema local, a despeito da
juventude na época. Agora JRS – que já concedeu algumas entrevistas
após a sua derrota nas últimas eleições dizendo-se desanimado
com a política – destaca-se também como editor
pois está à frente da Casa Jorge Editorial que nos últimos
anos tem nos brindado com verdadeiras preciosidades. Citando apenas
uma importante publicação da Casa Jorge: o excelente catálogo
"Iconografia do Rio", do mestre Gilberto Ferrez,
publicado em 2001.
À
maneira do referido catálogo de Ferrez,
Jorge Roberto Silveira acaba de lançar o seu próprio inventário
composto por memoráveis imagens niteroienses assinadas por diversos
artistas. Intitulado "Vistas e Paisagens da Enseada de Niterói"
trata-se de uma compilação pioneira a respeito do tema, além de
tratar-se de uma edição bastante refinada.
Com
prefácio do conceituado crítico de arte Carlos Roberto Maciel
Levy – coordenador editorial do catálogo
– o livro em questão procura abordar "a arte como fenômeno
intemporal, olhando para as vistas, paisagens e pinturas do passado
com os olhos do presente." Assim o autor nos revela, num delicioso texto impressionista,
um pouco da sua paixão por Niterói e sobre as melhores iconografias
que foram produzidas sobre este lugar principalmente nos séculos
XIX e XX.
Dividido
em 10 tópicos que vão desde as panorâmicas da Praia do Rio de
Janeiro até Charitas e Jurujuba,
passando por Praia Grande, São Domingos, Gragoatá,
Boa Viagem – onde Oscar Niemeyer esculpiu o Museu de Arte Contemporânea
(MAC) de Niterói, a partir de uma iniciativa de JRS enquanto Prefeito
– entre outros recantos aprazíveis da cidade, o livro é uma verdadeira
viagem no tempo e no espaço desta Niterói que já foi a capital
do Estado do Rio de Janeiro até pouco tempo atrás.
Curioso
é perceber, ao contrário do que possamos imaginar numa leitura
e observação apressadas do livro, que muitos dos locais outrora
retratados ainda permanecem quase intocados, a despeito do irreversível
processo de urbanização de Niterói nas últimas décadas, sobretudo
após a construção da ponte que a liga ao Rio de Janeiro. Este
fato faz com que o autor afirme que a baía ainda mantém preservada
a "sua identidade original e muitos dos locais retratados
ainda podem ser vistos tal e qual eram há cem anos." Cabe mencionar que tais revelações,
embasadas em uma longa pesquisa do autor e de sua equipe, nos
trazem um otimismo revigorante até mesmo para lutarmos contra
o descaso com o meio ambiente e com os ecossistemas tal maltratados
nos arredores da Baía de Guanabara.
Numa
seleção composta por 65 artistas o autor, todavia, deixa explícito
que não pretendia fazer um inventário completo – como é o catálogo
de Gilberto Ferrez sobre o Rio – mas
apenas uma amostra preliminar destas iconografias de Niterói.
Ainda assim faz-se importante frisar que trata-se
de uma contribuição pioneira e, portanto, inédita a respeito do
tema. Aos pesquisadores que, num futuro próximo, quiserem se aventurar
por este caminho certamente terão neste livro uma importante
referência.
Artistas
notáveis como William Bradley, Henry
Chamberlain, Leandro Joaquim, Antônio
Parreiras e Hipólito Boaventura Caron
têm suas pinturas apresentadas e comentadas com muito brilhantismo
e – para alguns que desconheciam esta faceta do autor – conhecimento
de causa por um autor que antes de tornar-se político foi um grande
estudioso da arte brasileira, conforme revela Maciel Levy
nas suas apresentações.
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Resenha originalmente publicada no Jornal do Brasil
Antônio Agenor de Melo Barbosa é arquiteto e professor de Urbanismo
na FAU-UFRJ, UGF e UNIPLI em Niterói. |