| página inicial | número | autor | livro | resenha | resenhista | como participar |  
 
         
Volta ao menu resenhas
Resenha 114 / março 2005
Livro resenhado:
São Cristóvão, memória e esperança, de Helio Brasil. Coleção Cantos do Rio. Rio de Janeiro, Relume Dumará / Prefeitura do Rio, 2004, 132 p. ISBN 85-7316-371-2. [Imagem da capa: Palácio de São Cristóvão, pintura de Karl Robert]

 

Olhar e viver São Cristóvão
resenha de nireu cavalcanti

A leitura do livro “São Cristóvão” de Hélio Brasil, nos traz revelações históricas, arquitetônicas, urbanísticas, sentimentais e, sobretudo, a alma da gente que viveu ou ainda reside nesse tradicional bairro do Rio de Janeiro. Texto rico de conteúdo, fluência e cativante, possui qualidades possíveis a um autor que incorpora certas características. São elas: conhecimento histórico da cidade e do bairro, relação direta com o local (o autor nasceu e viveu, “por quase vinte anos” em São Cristóvão) e paixão por ele, sensibilidade para os elementos da edificação e do espaço e, sobretudo, domínio da escrita. Hélio Brasil é contista e romancista com trabalhos literários publicados.

O livro São Cristóvão, memória e esperança deve ser lido, pela primeira vez, de um único fôlego – proeza fácil pela capacidade do texto de envolver o leitor – a fim de descobrirmos o grande e monumental quadro sobre a região, elaborado pelo pintor histórico Hélio Brasil. Na primeira leitura, o leitor anotará as páginas que mais lhe tocaram. Após essa descoberta, deverá voltar à leitura-olhar-sentir, dos detalhes do mural do bairro de São Cristóvão.

A leitura pode ser realizada na ordem sugerida pelo autor, ou delineada livremente. Esse foi o meu caminho. Por exemplo: o leitor poderá iniciar a releitura a partir da p. 70 – “Colar de pérolas” – e, daí, caminhar pelo Campo de São Cristóvão e arredores. Atento ao detalhe, encontrará aspectos de edificações descritas segundo sua linguagem arquitetônica, sua história e personagens a elas vinculadas. Se o leitor pular para a p. 93, ao percorrer as seguintes, deparará com o pulsar cultural, comercial e humano nas ruas, praças e largos de São Cristóvão. Terá a oportunidade de ir a uma sessão no Cine Fluminense, ir às padarias e confeitarias, ao armarinho do “turco” seu Elias, à Alfaiataria Lacerda ou conhecer o velho Nicola, competente sapateiro italiano. Visitará, com emoção, outros lugares da vida de pessoas que construíram o Ser São Cristóvão.

Ao percorrer as 112 páginas constituintes do corpo principal do texto, com certeza, o leitor estará ao lado do autor posicionando-se em defesa da cultura, da memória daquele bairro, e, sobretudo, das raízes cariocas. E estaremos todos reafirmando com Hélio Brasil: “Nos verdes da Quinta acharemos a esperança”.

Nireu Cavalcanti é professor e Diretor da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense – UFF

  Volta ao menu resenhas    
 
 
| Arquiteturismo | Arquitextos | Cadastro | Concurso | Drops | Documento | Entrevista | Evento | Institucional | Livraria | Minha Cidade | NoticiárioRG | Vitruvius |