| Arquitectura
y crítica de Josep Maria Montaner
resenha de clevio rabelo
De
título sucinto, este livro do consagrado autor catalão tenta explorar,
de forma grandiosamente didática, o conteúdo e o objetivo da crítica
arquitetônica recente.
Sua
abordagem, para usar uma de suas palavras prediletas, inicia-se
com um descontraído bate-papo com o leitor, onde indica alguns
possíveis encaminhamentos da posição crítica no enfrentamento
com seu objeto de trabalho, a obra arquitetônica.
Suas
defesas recriam um ambiente de descompromissado compromisso, de
leveza e subjetividade no julgar, porém sem anarquias. Para ele,
todo ato crítico não é senão um juízo estético e, assim o sendo,
necessita de uma teoria e uma metodologia que o embase.
A
simplicidade de que falava advém de um posicionamento mais ou
menos low-profile: quando mais despretensioso o julgamento,
mais objetivo este será. Nesse momento, defende a noção de repertório
e gosto do crítico. Sua principal atividade é captar o sentido
da obra e de alguma forma, expô-lo a aceitação pública.
Em
função da natureza do espaço abordado, diferente do fazer literário,
por exemplo, defende a obrigatória necessidade da presença física
e sensorial do homem perante a esfinge. O “decifra-me ou te devoro”,
o tête-a-tête é oportuníssimo para o exame da arquitetura.
Porém,
das afirmações de Montaner, a mais frutífera parece ser o seu
encantamento com o poder de interação dialética entre crítica
e criação. A crítica mostra-se criadora na medida em que altera
os padrões de reflexão e produção da obra. Por vezes, a criatividade
arquitetural é tão variada que é necessário uma constante re-instrumentalização
crítica para sua observação adequada.
Passados
os dois primeiros capítulos, o livro percorre uma história da
teoria da arquitetura, e por que não, da crítica ao longo dos
últimos séculos. Do positivismo ao pós-estruturalismo recente,
o autor percorre as idéias de filósofos, arquitetos, sociólogos
e historiadores no afã de alinhavar uma tentativa de explicitação
da arte e da arquitetura que possa conter em si um maior rigor
metodológico.
Nesse
sentido, Montaner mostra-se corajoso. Enaltece o trabalho de Walter
Benjamim, por sua lucidez abrangente; de Siefried Giedeon, por
sua construção historiográfica pioneira do movimento moderno e
de Manfredo Tafuri, por sua inteligência, vigor histórico e precocidade.
Em suas palavras, estes dois últimos nomes poderiam resumir, em
si, toda a atividade crítica do século XX.
De
resto, um livro breve e delicioso.
Clevio
Rabelo é Arquiteto e Urbanista, formado pela Universidade Federal
do Ceará em 2001 e mestrando no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura
e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie |