| Conforto:
consciência ou intuição?
resenha de silvana laynes e castro
De tempos
em tempos alguns vocábulos, termos ou expressões são renomeados
e iluminam a sua semântica original. Atualmente, conforto ambiental
vem sendo usado indiscriminadamente na arquitetura. Designa
e relaciona tudo aquilo que está adequado e adaptado, que consola
e traz prazer, que é competente e apropriado ou ainda, que é convenientemente
oportuno. Assim sendo, só podemos explicar o significado e o sentido
de conforto articulando um contexto histórico e sócio-cultural.
A simples delimitação de seus aspectos físicos e fisiológicos
(portanto, observáveis, mensuráveis e tecnicamente manipuláveis),
mesmo que abordados especificamente no ambiente construído, sempre
resultará num conceito incompleto.
Assim questiona-se:
o que priorizar quando estamos em busca do sentido ideológico
de conforto?
Numa concepção
transdisciplinar o autor relaciona várias interpretações sobre
o tema e realiza um passeio multidisciplinar pelas artes plásticas,
literatura, filosofia, psicologia, música e enfermagem. Relata
experiências pessoais e recordações confortáveis da sua
história de vida. Explora e analisa os cinco sentidos do corpo
humano e sua relevância para a expressão básica do conforto ambiental.
Na perspectiva de valores humanos busca a comodidade, a adequação
e a expressividade. Reconhece que o resultado, como um produto
cultural, é um conjunto de elementos harmoniosamente equilibrados
e bem estruturados na técnica e na arte.
Até o presente
momento a concepção arquitetônica e a tecnologia da construção
muito fizeram para privilegiar os métodos mecânicos consumidores
de energia. O autor lastima, pois, que o atual modelo de conforto
ambiental se reduza aos cálculos mecanicistas do automatismo.
A leitura
desta obra é, com certeza, uma surpresa bastante agradável e auspiciosa.
É também, muito reconfortante saber que profissionais extremamente
capacitados e com formação tecnológica específica se debruçam
sobre tais assuntos, buscando fundamentação filosófica e artística.
A percepção
do espaço requer sensibilidade; o clima humano de conforto e a
intimidade sugeridos na capa reafirmam a idéia de L. Heschong,
de que assim como o espírito anima o corpo físico de um ser vivo,
o fogo aparece como a alma viva do corpo da habitação.
O autor é
Engenheiro Mecânico (UFPR, 1990), Mestre em Engenharia (Univ.
Utsunomiya, Japão, 1993) e Doutor em Engenharia (Univ. Karlsruhe,
Alemanha, 1996). Desde 1997 é professor de Conforto Ambiental
no Curso de Arquitetura e Urbanismo e desde 2000 no Programa de
Pós-Graduação em Construção Civil da UFPR, do qual é atualmente
vice-coordenador.
Silvana
Laynes e Castro é arquiteta |