Resenha
201 / abril 2008
Texto
resenhado
PINTO, Maurício Faria; GALVANESE, Horácio Calligaris. “Requalificação
do centro de São Paulo – Projeto Corredor Cultural”. In: VARGAS,
Heliana Comim; CASTILHO, Ana Luisa Howard. Intervenções em centros
urbanos. Objetivos, estratégias e resultados.Barueri, São Paulo,
Manole, 2006. [imagem:Praça
do Patriarca, projeto de Paulo Mendes da Rocha. Foto Nelson Kon]
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Projeto
Corredor Cultural
resenha de aline ollertz
O livro Intervenções
em centros urbanos – objetivos, estratégias e resultados,
organizado por Heliana Comim Vargas e Ana Luisa Howard de Castilho,
traz em si um capítulo sobre uma iniciativa de revitalização do
centro da cidade de São Paulo. Em um amplo programa de requalificação
do centro, que conta com a ONG Associação Viva o Centro, processando
a união de atores públicos, privados e sociedade civil, se insere
o projeto “Corredor Cultural”, que previa valorizar
a qualidade do projeto de desenho urbano e aproveitamento de dinâmicas
pré-existentes, tentando organizar em um só e amplo projeto iniciativas
pontuais (públicas ou privadas)que estavam sendo concretizadas
mas não se articulavam entre si. Daí o corredor cultual teria
como ponto de partida potencializar tais iniciativas, fazendo
com que essas interagissem, sendo o espaço público redesenhado
de forma a funcionar como “elemento integrador” daqueles
projetos e, por meio da reestruturação do espaço público, pôr
em contato pólos isolados de atividades relevantes de maneira
a produzir sinergia entre esses pólos e destes com a rua.
O corredor
Cultural envolve áreas sob o domínio da Administração Regional
da Sé e da República. Abrange uma área que é ao mesmo tempo referência
histórica para os paulistanos e local intenso de fluxo de pedestres,
automóveis e ônibus. O percurso prestigiado pelo Corredor Cultural
se inicia na Biblioteca Mario de Andrade (na Praça Dom José Gaspar),
segue para a rua Xavier de Toledo, Praça Ramos de Azevedo (onde
se localiza Teatro Municipal), Viaduto do Chá (elemento de ligação
entre o Centro Velho e o Centro Novo), Praça do Patriarca e finalmente
a rua da quitanda (onde está o Centro Cultural Banco do Brasil).
O Corredor Cultural é servido por uma ampla rede de transporte
público: metrô, ônibus e táxi. No entanto possui uma oferta escassa
de estacionamentos.
Para a concretização
do Projeto contou-se com investimentos públicos municipais, recursos
advindos de contratos firmados entre a Emurb e empresas que exploram
a publicidade e ainda contou-se com contrapartidas financeiras
obtidas por meio da Operação Urbana Centro que se utiliza da outorga
onerosa paga para obtenção de direitos adicionais de construção
ou novos usos. Os investimentos visavam a atualização da infra-estrutura,
a recuperação do patrimônio histórico e a atração de novos usuários.
O marco inicial
desse projeto deu-se quando da criação do Centro Cultural Banco
do Brasil e remodelação da Praça do Patriarca. O Corredor Cultural
vinha como medida para tornar tais obras e futuras obras parte
integrante de um corpo maior de intervenções no centro, com a
intenção de não torná-las pontos específicos de ação, mas
parte integrante de um projeto mais amplo de requalificação do
centro. Foi ainda, diante desse esforço, que tanto o Estado quanto
o múnicípio tansferiram órgãos e empresas públicas e secretárias
para a área central, contribuindo para uma maior dinâmica na área
e para a centralização do setor administrativo.
Os resultados
desse projeto apontaram, entre outros, um aspecto negativo e três
positivos, sendo respectivamente: a presença de uma cultura urbanística
que privilegia carros (rodoviarismo) em detrimento dos pedestres
que são geradores de importantes fluxos no centro da cidade; configuração
de um centro com espaços públicos que proporcionem maior continuidade
de espaços; valorização das atividades urbanas, dos fluxos da
rua e não simplesmente recuperação de edifícios históricos; valorização
da dinâmica da área central e da sua articulação do centro velho
e centro novo. Mais importante ainda é também, contabilizar como
ponto positivo a maneira como esse tipo de projeto pode estreitar
laços entre setores públicos , privados e ainda da sociedade civil
e como o relato desses projetos podem gerar discussões também
muito bem vindas nesse sentido.
Aline
Ollertz é estudante da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
da Universidade Presbiteriana Mackenzie e membro do Grupo de Pesquisa
O Desenho da cidade e a verticalização: São
Paulo de 1940 a 1957.
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